Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 16 de Setembro 2026
Notícias Geral

Ouro para o bem de São Paulo

Ouro para o bem de São Paulo
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Estive no dia 11/03/24 no Largo de Misericórdia no Centro de São Paulo mais precisamente em um café defronte ao nº 23 da Rua Álvares Penteado e me deparei com uma cena que nunca imaginei presenciar num, praticamente, monumento histórico, erigido em homenagem a um dos capítulos mais importantes da História de nosso Estado e por que não dizer, de nosso País. 

Lá naquele Largo de Misericórdia no ano de 1936 iniciara-se a construção do edifício denominado “OURO PARA O BEM DE SÃO PAULO”, executado pela Cia. Construtora Camargo & Mesquita, com projeto da Severo & Villares, em estilo art déco, sendo concluído em 1939.  Referido edifício simboliza a Bandeira do Estado de São Paulo tremulando. Possui 13 (treze) andares que representam as 13 (treze) listras de nossa bandeira. Seu mastro é representado por anéis que retratam as alianças de casamento que os cidadãos de São Paulo doaram para contribuir com os custos do Exército Constitucionalista.  

No topo deste prédio fora inserido um dos maiores símbolos daquela campanha cívica épica: O Capacete de Aço. Capacete este produzido em larga escala em 1932. Aliás, diga-se de passagem, que todos, frise-se, todos os combatentes de 1932 tinham seu capacete de aço. 

Como retro mencionado, milhares de “paulistas” de todos os cantos do País e de todas as naturalidades e nacionalidades doaram não só suas alianças de casamento como também, muitos deles, joias de família para contribuir com a Guerra Cívica que havia sido deflagrada. 

Aliás, a viúva de Rui Barbosa, Sra. Maria Augusta, doou sua aliança de casamento e aduziu que se o mesmo estivesse vivo também a doaria. 

Aos 02/10/1932 na Cidade de Cruzeiro fora assinada a cessação das hostilidades e a paz voltou a reinar entre irmãos. Todavia certo receio pairava no ar. O que fazer com o restante do ouro arrecadado para financiar as tropas constitucionalistas? Não poderiam em hipótese alguma deixar que fosse delapidado inutilmente. Chegou-se a conclusão que o melhor destino seria o de doá-lo para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e, assim foi feito. 

Toda a sobra de ouro e prata fora encaminhada para a Santa Casa que, de posse de tais valores, tratara de transformá-los em lingotes que posteriormente foram vendidos e, com os valores angariados, construiu-se o edifício “OURO PARA O BEM DE SÃO PAULO” em homenagem a Epopeia Cívica de 1932 e a tão bem sucedida “CAMPANHA DO OURO PARA O BEM DE SÃO PAULO”. 

Quer dizer, aquele prédio situado na Rua Álvares Penteado leva em seu bojo os anseios de milhares de cidadãos paulistas e brasileiros que doaram suas alianças de casamento e muitos deles suas vidas - bens infungíveis – em prol da democracia e da legalidade para hoje observarmos o mesmo ser abandonado pela Santa Casa chegando ao ponto de ser parcialmente invadido.   

Diz o ditado: “Quem não tem competência, não se habilite!” 

Se a Santa Casa não possui/possuía condições de recuperá-lo e torná-lo comercial novamente que o destinasse para alguma empresa que assim o fizesse. Poderia ser explorado como um espaço cultural, como é o edifício do Banco do Brasil ali pertinho. Sem dúvida alguma ajudaria a revitalizar o Centro de São Paulo. 

Este é o maior desrespeito a História de nosso Estado, é uma afronta a memória de todos os paulistas e brasileiros que, com o coração partido, tiraram de seus dedos suas alianças de casamento para financiarem a luta legalista e democrática dos Heróis Constitucionalistas de 1932. 

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR