SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Os perigos que nos rondam

Os ufanistas que me perdoem

Os ufanistas que me perdoem, mas o mundo anda péssimo! Quem vivenciou a segunda metade do século passado pode comparar o Brasil daquela época e o País que temos hoje.

Havia um convívio respeitoso. Existia pobreza? Obviamente sim. Mas a pobreza era digna. Hoje, a miséria se espalhou, não só evidenciando que enorme legião de seres humanos perdeu condições de subsistir com dignidade, mas também viu desaparecer, nessa escalada, resquícios mínimos de higiene e de respeito próprio e ao próximo.

Os espaços públicos eram limpos. Jardins preservados. Monumentos respeitados. Hoje, a imundície é a regra. Produz-se o descartável com uma volúpia inimaginável. Bilhões são desperdiçados a recolher o sinal mais expressivo de nossa ignorância.

O centro das cidades foi relegado à incúria, ao abandono, à absoluta carência civilizatória. Prefere-se continuar ao inadmissível dispêndio com a coleta, em lugar de educar a população e capacitar pessoas que pudessem auxiliar a transformação da conduta, mediante contínua ação pedagógica. Utilizar-se da sanção premial, ao lado das medidas sancionatórias normais, produziria a médio prazo razoável economia para os combalidos cofres públicos.

O tema não é menor. Começa-se com o arremesso do descartável à via pública. Em seguida vem a nefasta pichação, atestado de menosprezo à propriedade alheia e pública. Logo depois, a quebradeira de equipamentos, a destruição de jardins, o redesenho terrificante do ambiente urbano.

Simultaneamente, está-se numa República em que são mais de 250 milhões os móbiles. Catadores de papelão e garrafa pet, moradores de rua e outras singularidades que, numa outra era, refugiriam à normalidade, possuem os seus celulares. Um dos perigos do presente e do futuro próximo é a exponencial expansão do lixo eletrônico. Ele libera produtos químicos tóxicos a um ambiente já degradado. A emissão de carbono aumenta em decorrência do crescente número de centros de dados com elevadas taxas de consumo de energia, essenciais à infraestrutura digital eficiente.

 Alguém está preocupado com isso? Ou o discurso político prossegue na linha medíocre da desconstrução do outro, evidência de que não há projetos e não existe o que mostrar no próprio currículo. Como a recomendar ao pobre eleitor: eu sou o menos pior! Pense nisso quando votar!

Perto dessa indigência da política partidária, os perigos gerados pela 4ª Revolução Industrial podem ser menores. Pois a perda de sensibilidade e humanismo de uma humanidade imersa no egoísmo consumista é algo mais trágico na turbulenta trajetória da espécie humana por este sofrido planeta.

* Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed.RT-Thomson Reuters.  

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Os perigos que nos rondam

Os ufanistas que me perdoem, mas o mundo anda péssimo! Quem vivenciou a segunda metade do século passado pode comparar o Brasil daquela época e o País que temos hoje.

Havia um convívio respeitoso. Existia pobreza? Obviamente sim. Mas a pobreza era digna. Hoje, a miséria se espalhou, não só evidenciando que enorme legião de seres humanos perdeu condições de subsistir com dignidade, mas também viu desaparecer, nessa escalada, resquícios mínimos de higiene e de respeito próprio e ao próximo.

Os espaços públicos eram limpos. Jardins preservados. Monumentos respeitados. Hoje, a imundície é a regra. Produz-se o descartável com uma volúpia inimaginável. Bilhões são desperdiçados a recolher o sinal mais expressivo de nossa ignorância.

O centro das cidades foi relegado à incúria, ao abandono, à absoluta carência civilizatória. Prefere-se continuar ao inadmissível dispêndio com a coleta, em lugar de educar a população e capacitar pessoas que pudessem auxiliar a transformação da conduta, mediante contínua ação pedagógica. Utilizar-se da sanção premial, ao lado das medidas sancionatórias normais, produziria a médio prazo razoável economia para os combalidos cofres públicos.

O tema não é menor. Começa-se com o arremesso do descartável à via pública. Em seguida vem a nefasta pichação, atestado de menosprezo à propriedade alheia e pública. Logo depois, a quebradeira de equipamentos, a destruição de jardins, o redesenho terrificante do ambiente urbano.

Simultaneamente, está-se numa República em que são mais de 250 milhões os móbiles. Catadores de papelão e garrafa pet, moradores de rua e outras singularidades que, numa outra era, refugiriam à normalidade, possuem os seus celulares. Um dos perigos do presente e do futuro próximo é a exponencial expansão do lixo eletrônico. Ele libera produtos químicos tóxicos a um ambiente já degradado. A emissão de carbono aumenta em decorrência do crescente número de centros de dados com elevadas taxas de consumo de energia, essenciais à infraestrutura digital eficiente.

 Alguém está preocupado com isso? Ou o discurso político prossegue na linha medíocre da desconstrução do outro, evidência de que não há projetos e não existe o que mostrar no próprio currículo. Como a recomendar ao pobre eleitor: eu sou o menos pior! Pense nisso quando votar!

Perto dessa indigência da política partidária, os perigos gerados pela 4ª Revolução Industrial podem ser menores. Pois a perda de sensibilidade e humanismo de uma humanidade imersa no egoísmo consumista é algo mais trágico na turbulenta trajetória da espécie humana por este sofrido planeta.

* Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed.RT-Thomson Reuters.  

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