A arte de enganar é conhecida por vários nomes – golpe, conto do vigário, estelionato, fraude, burla, ludibriar, iludir. É o modo de agir, explorando a vontade de levar vantagem, fórmula atraente para seduzir inocentes e ao mesmo tempo tornar culpados aqueles que não são tão inocentes assim.
É o que está acontecendo cada vez mais nos dias de hoje. O artigo171 do Código Penal adquiriu uma abrangência sem precedentes. A era tecnológica é a responsável pelo grande avanço do crime em formato digital, atingindo os incautos de formas variadas. São os golpes digitais, que burlam a fragilidade das vítimas para arrecadar fortunas, geralmente por meio de acesso a contas bancárias, infiltração em redes de vários tipos, roubos de cartões com senhas de celular, onde está a vida pessoal de muita gente, ofertas generosas de brindes, descontos tentadores e dinheiro.
Criminosos tecnológicos conseguem capturar dados pessoais para fazer transferências bancárias (muitas vítimas são mantidas em cativeiro) e articulam, com a conivência de fontes estratégicas, como se viu recentemente no INSS, para violar contas pessoais. Desse modo, e sempre de forma fraudulenta, produzem cadastros fictícios, oferecendo falsos benefícios sociais, chegando a utilizar-se até de informações contidas em processos para falsear rápidas vitórias judiciais, fazendo de conta que seriam advogados de uma lide.
Há casos em que se inventa a prática de sequestro para apavorar familiares, exigindo o pagamento imediato de um resgate para liberar a vítima inexistente. Na mesma linha, mensagens digitalizadas são enviadas para informar sobre valores pagos em compras, solicitando confirmação da aquisição ou negar o fato, para assim obter dados pessoais para um falso ressarcimento.
A exploração da ingenuidade acontece quando surge uma aparente oportunidade de ganhar dinheiro fácil e um grande lucro se torna atração irresistível. Vale aqui um conselho bem antigo: desconfiar sempre da volumosa esmola que transforma santos em penitentes.
Os golpes podem ser evitados com percepção adequada. Quando feitos por mensagens digitadas, geralmente contém erros gramaticais e incoerências com as reais possibilidades de alguma reinvindicação. Tais textos, repletos de falhas evidentes, precisam ser interpretados corretamente para escapar dos caçadores de vítimas.
Tempos modernos, crimes modernos. É proibido ser ingênuo.
*Jornalista e escritor
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