Apesar do exponencial avanço cientifico e tecnológico vivenciado pela humanidade, que causam impactos significativos na qualidade de vida e na longevidade, o ser humano tem mostrado fragilidade quanto à sua adaptação, inclusão social e, sobretudo, saúde mental.
Embora o homem seja um ser social, que tem o instinto e a necessidade de viver em grupo, a sociedade está segmentada. Essa segmentação tem causado evidentes desequilíbrios nas relações humanas e nos próprios valores individuais e coletivos que orientam a sociedade, criando nichos de interesse que, como consequência, criam frações sociais em busca de espaços.
O paradoxo entre os avanços da modernidade e as relações sociais, que tem papel fundamental na publicização da ética e na busca do bem comum, desafia a opinião e os valores consabidos, além de gerar contradições e incertezas que desestabilizam emocionalmente o ser humano.
Esse fato talvez explique o cada vez mais crescente número de casos de depressão que, para alguns, está se tornando o mal do século, o mal desta geração. A questão relativa à saúde mental é causa de enorme preocupação. Estudos apontam que 80% (oitenta por cento) das pessoas sofrem, se martirizam, por ficarem remoendo fatos passados; 15% (quinze por cento) se afligem com eventos futuros, e, apenas 5% (cinco por cento) vivem com vigor o momento presente.
Mais ainda, a Organização Mundial de Saúde – OMS afirma que mais de 1 bilhão de pessoas convive com problemas relativos à saúde mental, que são a principal causa de incapacidade no mundo. Oportuno lembrar que o bem-estar das pessoas está interrelacionado com aspectos psicológico e emocional – com o que pensamos - e com saúde física, apoio social, condições de vida etc. Ou seja, saúde mental guarda relações com o desenvolvimento das habilidades pessoais para responder aos desafios da vida e o viver em sociedade.
Seja dito que estatísticas feitas no ano de 2023 mostram que o Brasil é o segundo país casos de depressão no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Em outro contexto, estudos mostram que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos, depois de acidentes de trânsito.
Ocorre que a saúde mental é influenciada pelo ambiente ao nosso redor, tendo, portanto, características biopsicossociais ao envolver o corpo, as emoções e a forma como interagimos, de modo que toda pessoa tem um papel importante em cuidar do bem-estar de todos, cuidando de nós mesmos e apoiando uns aos outros.
Nesse contexto é plausível afirmar que é preciso buscar um equilíbrio entre o avanço da ciência e da tecnologia e a necessidade de socialização entre as pessoas. Inegavelmente, os laços sociais são necessários ao progresso e quando isso não acontece a partir da família, célula básica da sociedade, a criatura humana tende a se fazer perturbadora, sem estrutura ética, tombando no desvio, justamente porque o ser humano é um ser gregário, social.
Joanna de Ângelis, no livro Constelação Familiar, diz que é fundamental que o lar, a representação minúscula da sociedade, como célula inicial, seja construída de forma que se alongue com naturalidade pelo grupo social na direção de toda a humanidade. Quanto mais os membros da família convivem em clima de respeito e amizade, mais amplas se lhes tornam as facilidades de entendimento fraternal, predispondo-se à convivência saudável fora do lar, apesar da complexidade do grupo social e dos seus problemas muito variados.
Nesse panorama, o desafio atual de toda pessoa é entender que todo ser humano é gregário e que aquele que se sente incluído não se exclui do convívio social. Como diz Thiago Bernardes, na Revista o Consolador, a sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo da lei do progresso que rege a humanidade, a que o homem não se pode esquivar, sem prejudicar-se, pois, é por meio do relacionamento com os semelhantes que ele desenvolve as suas potencialidades.
Quando falamos de esperança e de vida é importante cultivarmos o bom ânimo, os pensamentos saudáveis, as ações produtivas individuais e coletivas, sempre acreditando naquilo que estamos realizando, sobretudo porque estaremos laborando para o equilíbrio, reequilíbrio e bem-estar do corpo e do espírito, e, como resultado, para o futuro da humanidade, enquanto agentes ativos na formação da geração que irá transformar o planeta em um mundo de regeneração, sem tanto sofrimento e mais compassivo, ou seja, com mais compaixão.
Se, de um lado, sob os aspectos das ciências, das artes e do bem estar, é incontroverso que a humanidade tem realizado muitos progressos; de outro modo, sob o ponto de vista humanístico, é igualmente inquestionável que ainda falta desenvolver sua inteligência e elevar os sentimentos para que no seio da sociedade reine a fraternidade, a caridade, a solidariedade, assegurando o bem estar moral individual e coletivo.
Assim, como um conselho prático e moral para o bem viver e dar fim as incertezas que desestabilizam emocionalmente o ser humano, lembremos que Provérbios17:22 diz que “o coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos”.
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.
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