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Domingo, 28 de Junho 2026
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Os ácidos da modernidade

Colunista *Percival de Souza

Os ácidos da modernidade
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Tempos modernos exigem modernidade nos desempenhos, múltiplos na sociedade. Para enfrentar os desafios contemporâneos em matéria de segurança pública, métodos precisam ser adaptados, transformados, numa evolução permanente. As coisas de hoje não podem ser como as de ontem. 

Para instruir policiais, existem cursos permanentes na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, a casa-mãe dos futuros oficiais, na Academia de Polícia Civil, que tem o nome do lendário delegado Coriolano Nogueira Cobra, um grande mestre em investigações. 

Os modos de agir dos criminosos são mutantes, numa escalada cada vez maior pelos degraus da violência. Recordando: nos velhos tempos, o patrulhamento era feito por uma dupla de guardas civís (à época, corporação autônoma) e soldados da Força Pública, assim chamada antes dela ser transformada em Polícia Militar. A chefia, seria hoje considerada incrível hoje: era de um delegado da Polícia Civil. 

O sistema mudou.  A sociedade é outra, o crime também. O cenário evoca nostálgicos dizendo que no passado seria melhor, embora os atuais sejam contemplados com a tecnologia inimaginável nos velhos tempos. 

A Polícia, principalmente a Militar, alimenta em grande parte os plantões policiais, tantas vezes usados apenas para registro de ocorrências, dependentes de investigações posteriores. Os promotores recebem o prato feito e apresentam as denúncias, sem as quais não existe processo criminal. Os juízes, desconfiados, utilizam audiência de custódia, para – sem entrar no mérito do caso – decidir se a prisão foi feita sem qualquer exagero. 

O tripé não funciona direito porque é somente a PM que fica nas ruas 24 horas por dia, ajudada pela Guarda Civil Metropolitana.  Mas o crime, sem horários, nunca dorme. 

É necessário que as autoridades de outros escalões, nem sempre competentes, despertem para a nada teórica vida nas ruas, repletas de bandidos ferozes, violentíssimos, muitas vezes matando primeiro para roubar depois, invadindo casas (“invioláveis”, ora a lei), praticando estupros, banalizando o tráfico e deixando a população incrédula, sem ânimo até para registrar uma queixa. 

Exige-se de tudo: os policiais precisam ser assistentes sociais, sacerdotes, psicólogos, psiquiatras, ter raciocínio rápido e serem extremamente gentis nas abordagens, mesmo estando diante de uma linha de fogo. Fica tudo nas costas da Polícia? Então, tá. 

*Jornalista e escritor 

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