A ciência e a religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as leis do mundo moral. Umas e outras têm o mesmo princípio, que é Deus, não podem, pois, se contradizer; se elas são a negação uma da outra, uma é necessariamente errada, e a outra, certa, pois Deus não pode querer destruir sua própria obra. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I).
Com base nesse conceito, conjugar fé e ciência é criar um traço de união que contempla o conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo material de modo que a fé se dirija à razão.
Ainda que sem qualquer conotação científica, a mais singela observação do cosmos nos leva a conclusão de que deve haver uma explicação mais satisfatória na elaboração do universo - que, no mínimo, é muito bem ordenado - do que o simples acaso.
Dado o grau evolutivo da humanidade as revelações são paulatinas e ocorrem de acordo com a própria evolução da sociedade global. Por exemplo: há 300 anos Isaac Newton descobriu a força da gravidade e criou cálculos matemáticos que pudessem explicá-la. Mais recentemente, há pouco mais de 100 anos, Albert Einsten, tendo desenvolvido a teoria da relatividade ao lado da mecânica quântica, explicou como a força da gravidade funciona. E agora, a partir dos estudos formulados por Einsten, a ciência conseguiu comprovar a existência da força da gravidade, ou seja, das chamadas ondas gravitacionais.
Essa nova evidência científica demonstra que há ondulações no tecido do espaço-tempo sugerindo que houve um início do nosso universo, ou seja, o universo existe e tem uma causa. As características das chamadas ondas gravitacionais envolvem a sua capacidade de oscilarem no tecido espaço-tempo, de serem produzidas por explosões e colisões que ocorrem no Universo e de distorcerem o espaço-tempo de alguns planetas quando os atingem. Essas ondas - eletromagnéticas - não precisam de um meio material para serem transmitidas, sendo capazes de atravessar tudo.
Essa constatação cientifica reforça o conceito de que o progresso é uma lei universal e avançar no estudo da ciência, revelando as leis da matéria, é dever do homem, sendo necessário espírito de humildade para compreender que ciência e fé, fé e ciência, caminham lado a lado.
Na minha leiguice, talvez seja lícito conjecturar que se o universo teve um início há um agente externo que lhe deu causa. Esse fator externo preexistente é Deus, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, cuja existência é reconhecida por Sua própria obra.
Mas ainda, na conexão ciência e religião, creio que a ciência será um ato de adoração quando olhar para a revelação de Deus contida na natureza, mesmo porque negar a existência de Deus seria o mesmo que negar que todo efeito tem uma causa e avançar no sentido ilógico de que o nada pode fazer alguma coisa.
Repita-se, para se crer em Deus basta lançar os olhos para as obras da Criação!
Talvez tenha sido esse o sentido da afirmação do físico Erwin Erwin Schrödinger, Prêmio Nobel de Física de 1933 pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica, ao dizer que: “A obra mais eficaz, segundo a Mecânica Quântica, é a obra de Deus.”.
Enfim, que em nossas reflexões, ainda que leigas, nos lembremos de Einstein e sua mente brilhante ao dizer que “Deus não joga com dados”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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