A matéria, em importante meio da mídia escrita, trouxe aos leitores o seguinte fato: “Hugo Mota se reúne com 50 empresários na casa de João Dória em meio à crise com Lula. O encontro é sinal de demonstração de apoio de empresários da Faria Lima ao presidente da Câmara”. Tal apoio, para quem não sabe, está ligado à aprovação do projeto que suspende o aumento do IOF.
Para alguém que acompanha o grave momento pelo qual o nosso país passa, essa notícia nos faz deduzir uma triste condição com que convivemos como democracia. Fato é que o empresariado se mobiliza em torno de questões de seu interesse, mas não se envolve em outras de maior relevância que nos afligem a todos.
A nação, tornada refém de criminosos, psicopatas e tiranos que transitam pelo poder, deve mobilizar todas as suas forças para que a sua vontade seja observada. Infelizmente, o nosso empresariado, com todo poder que possui, coloca-se à margem dessas questões, pois esse envolvimento pode fechar portas e tirar oportunidades para seus negócios. A mesma pessoa a quem dão apoio no que se relaciona ao IOF, é a que tem impedido que sejam tomadas medidas contra os abusos do executivo e judiciário.
São pessoas de visão curta que não entendem que o seu negócio, a médio e longo prazo, depende de um estado que seja bem gerido em todos aspectos. São os passageiros de um barco que não se preocupam com um rombo no casco por que o rombo está lá do outro lado, como se isso não os fosse afetar. O barco irá afundar e levará a todos.
Não os incomoda que inocentes estejam presos, que haja perseguição política, que se busque a regulamentação das redes sociais, que a censura cada vez mais se intensifique, que nas nossas relações exteriores sejamos simpáticos às ditaduras, nos antagonizemos com os Estados Unidos da América e Israel e nos aproximemos de Rússia, China e Irã. Nada disso os incomoda.
Encastelam-se em seus luxuosos escritórios e, ao fim do dia, para fugir à violência das ruas, entram em seus carros blindados ou helicópteros e se recolhem aos seus “bankers” familiares. Frequentam os mais caros restaurantes e, nos fins de semana, descansam em suas casas de praia ou na montanha. Não se preocupam, sem se dar conta que, de uma hora para outra, esse castelo pode desmoronar.
Falamos de democracia. A robustez da democracia reside na força de seu povo. Se aqueles que têm poder de influenciar nas questões que afetam a todos, se omitem, dão espaço para os menos capazes se imporem. Dão espaço para que os ineptos tomem conta de Brasília. Por isso digo: o nosso problema não está em Brasília está na Faria Lima.
*Um cidadão brasileiro
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