A Primeira Guerra Mundial terminou como um conflito irresoluto. Uma batalha que se pensava durar poucos meses, perdurou por quatro anos, ceifando milhões de vidas e sem o julgamento dos principais atores culpados pelo genocídio. Legou um status quo insepulto e fértil para a germinação da Segunda Guerra Mundial. Ninguém ousou julgar os desatinos dos reis e imperadores que eram primos e, obcecados por seus orgulhos e desavenças, não se esforçaram para conter o conflito.
Aos 32 anos, Franklin Delano Roosevelt assistiu ao início da Primeira Guerra Mundial e aos horrores do flagelo que sacrificou uma geração de promissores jovens. Anos mais tarde, já na presidência dos EUA, liderou o gigante contra a insana jornada da Segunda Guerra Mundial.
Homem vivido e possuidor de inquietude intelectual, no início da guerra Roosevelt vaticinou que, após a rendição, o mundo deveria julgar os líderes da funesta catástrofe.
Após o armistício, usando de seu prestígio e comprovada liderança, Roosevelt uniu os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido, a França e a União Soviética para a realização do famoso Julgamento de Nuremberg, resultando em 12 condenações à morte por enforcamento, 7 prisões, sendo três perpétuas, duas a vinte anos, uma a quinze anos, outra a 10 anos e duas absolvições, dos principais líderes alemães aprisionados. Hermann W. G. Göring, líder do Partido Nacional Socialista antecipou sua sentença, cometendo suicídio.
O julgamento cirúrgico e midiático serviu de vitrine dos horrores da guerra e das ações temerárias e oportunistas de líderes alemães e aplicou, adequada e tempestivamente, a justiça, desencorajando futuras desventuras.
Atualmente, assistimos à guerra contra a Covid 19, moléstia democrática que acomete ricos e pobres, intelectuais e analfabetos, atletas e debilitados, levando à falência países, instituições, comércios e expondo as vísceras das sociedades mal preparadas nas suas bases estrutural, política, logística, financeira e moral.
Impotentes, assistimos a tomadas de decisões amadoras e inconsequentes, o oportunismo sensacionalista da mídia, a manipulação das estatísticas e a delinquência de recursos disponibilizados para o combate à pandemia.
Seríamos injustos não reconhecer os exemplos de solidariedade e atitudes exemplares em prol do bem comum e do sacrifício dos profissionais de saúde que evitaram perdas humanas, colocaram em risco a própria vida e a de suas famílias.
A exemplo do Julgamento de Nuremberg, vislumbramos a realização do Julgamento de Wuhan, levando ao banco dos réus os que não tomaram decisões antecipadas, apesar de terem conhecimento da gravidade do problema, mitigando as consequências. No rol dos réus, deveriam constar os que se aproveitaram do momento de fragilidade para angariar proveito político e financeiro e os que causaram sensacionalismo e instabilidade às nações.
Imaginamos esse tipo de julgamento em duas instâncias, uma de abrangência mundial, os países prejudicados julgariam as gêneses, o que poderia ter sido evitado e o que deixou de ser feito para aplacar a pandemia.
Da contemplação do iceberg emerso, viria o julgamento em outra instância de cada país, envolvendo governantes, políticos e aproveitadores, mostrando suas faces, suas artimanhas e seus desvios.
Seria arrolado o oportunista que viu como benefício o monstro chamado coronavírus para comprovar sua teoria de que a solução do problema é do Estado e não do atual governo, procurando desautorizar a atual política governamental que luta para recuperar mais de uma década perdida pela desenfreada corrupção na liderança justamente de quem fez a crítica.
Fitando a face do mal, a céu aberto, num ambiente democrático, virá o julgamento final, através do sufrágio popular, expurgando os que não pensaram no bem comum e na sociedade, no legado promissor às futuras gerações, nem honraram a confiança depositada pelo seu eleitor nas urnas.
Por fim, 2022 será o divisor das águas, quando a decisão estará às mãos do povo para escolher, nas urnas, os que lutaram para o Brasil dar certo e os que se contrapuseram a esse desiderato.
Sem democracia e justiça não há paz duradora nem a garantia de futuro promissor. Não desistam do Brasil. Nosso país tem jeito, depende exclusivamente de nós!
* Brigadeiro do ar RF
Brigadeiro do ar Ivo de Almeida Prado Xavier