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Sexta-feira, 04 de Setembro 2026
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O instante decisivo

Colunista Arnaldo Luis Theodosio Pazetti

O instante decisivo
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A análise rasa não nos permite compreender com exatidão o abismo em que nos encontramos. Mas, ao menos, é possível estimular reflexão por parte do caro leitor. Não sei quando tudo isso começou e nem importa saber. A angustiante sensação é a de que jamais respiraremos outros ares. País do futuro? Até isso nos tiraram. Direita e esquerda disputam a tutela das virtudes humanas, enquanto metade da população pindoramense permanece sem acesso à rede de esgoto. Direita e esquerda proclamam serem guardiãs da democracia, enquanto nosso ensino se encontra em patamar sofrível ao compará-lo aos demais países. Direita e esquerda, numa disputa canibal, avançam sobre o orçamento da União, enquanto contabilizamos índices criminais, especialmente referentes a homicídios, de países em guerra. Fiéis (não há nomenclatura mais apropriada) de direita e de esquerda se esforçam em destacar a superioridade moral de seus representantes e deixam de lado o debate que poderia nos conduzir ao futuro. A lamentável verdade é que direita e esquerda não têm projetos para o País. Já fomos superados por muitas nações que, até as décadas de 1970 e 1980, estavam econômica e socialmente bem atrás de nós. Esses países investiram em educação e infraestrutura e, sobretudo, sedimentaram o sagrado respeito à segurança jurídica. Aqui, preocupamo-nos apenas – e, por enquanto, sem sucesso – em "matar o leão do dia". Embora seja fundamental o combate à inflação, o controle de gastos públicos, a derrubada dos juros, o crescimento do PIB e o equilíbrio do câmbio, não se projeta nada além. Como estaremos em alguns anos ou algumas décadas? Não bastará colocar a economia nos trilhos (o que me parece absolutamente utópico diante dos níveis de insegurança jurídica e de insegurança pública que possuímos). Nosso PIB já é muitas vezes maior do que o da Suécia ou da Dinamarca, e o que isso se traduz em qualidade de vida para nós? O fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson criou o conceito de "instante decisivo": o momento exato em que todos os elementos de uma cena se alinham perfeitamente para produzir uma imagem única e irrepetível. Atrevo-me a concluir que, para Bresson, bastaria paciência e sensibilidade para capturar esse instante em qualquer fotografia. Em nosso futuro como nação, não haverá um instante decisivo, não adianta esperar. É necessário agir. E não há outro caminho: é preciso escolher melhor, é preciso votar melhor. 

ARNALDO LUIS THEODOSIO PAZETTI. Coronel PM, advogado e escritor. 

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