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Domingo, 11 de Outubro 2026
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O Homem em sociedade

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

O Homem em sociedade
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Disse Rosseau  que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Isso porque ao perder sua liberdade natural o homem busca ganhar a liberdade civil firmando, ainda que tacitamente, um contrato social. 

Nesse contrato tácito o povo, ao mesmo tempo, é agente ativo e passivo. Ou seja, é parte do processo de elaboração das normas e do seu cumprimento, pois compreende que obedecer às leis que escreve para si mesmo é um ato de liberdade, isso enquanto um pacto pautado na alienação da vontade particular como condição de igualdade entre todos.

Ainda segundo Rosseau, o pacto social encontra “... uma forma de associação que defenda e proteja contra toda força comum, a pessoa e os bens de cada associado e pela qual cada um, unindo-se a todos, apenas obedeça a si próprio, e se conserve tão livre quanto antes”.

Quer parecer evidente que o estabelecimento desse pacto enfrentou, enfrenta e enfrentará dificuldades para ser fixado, mas que sempre, em qualquer situação, deve ser orientado por valores que foram e são fundamentais para a estabilidade da sociedade.

A filosofia trata dessa questão ao discutir o conjunto de valores individuais e coletivos considerados universalmente como norteadores das relações sociais e da conduta humana. Como tais valores fornecem o alicerce oculto dos conhecimentos, adquiri-se consciência do certo e do errado a partir da estruturação do mundo moral no íntimo do ser, ou seja, a partir daquilo que estiver fixado na sua consciência, alimentado por ideias e desejos.

No aspecto psicológico, os valores designam o traço de personalidade caracterizado pela tendência que o ser julga determinados objetivos ou ações. Já, no aspecto moral, tais valores são os princípios e normas que determinam o certo ou errado no comportamento de uma pessoa e sua interação em e com a sociedade.

Ocorre que, a modificação do contrato social, até mesmo enquanto uma consequência das mudanças trazidas pelo avanço científico e tecnológico, não pode implicar na quebra e inversão dos valores basilares da sociedade e, em decorrência, gerar fatores de desestabilização e uma grave crise ética.

Para o sociólogo francês Allan Torraine , no mundo contemporâneo “... a globalização enfraqueceu os controles sociais e culturais estabelecidos pelos estados, pelas famílias e escolas. As fronteiras entre o normal e o patológico, o permitido e o proibido, perderam sua nitidez. Isso tudo ocorrendo em um espaço em que as pessoas veem os mesmos filmes, bebem as mesmas bebidas e usam marcas semelhantes”. Neste sentido, “o estado, como agente central do crescimento e da justiça, é atacado de um lado pela internacionalização da economia, do outro pela fragmentação das identidades culturais.”. Fato é que mundo “... tornou-se tão diverso e tão fragmentado que ele desconhece a forma de engendrar um ator histórico, isto é, uma vontade de ação coletiva tendo um efeito sobre as orientações da sociedade. ...”.

Sendo assim, a sociedade contemporânea criou nichos, pequenos grupos de interesse que se instalaram e buscam fazer prevalecer seus interesses e, como consequência, inviabilizam uma vontade de ação coletiva que privilegie a sociedade como um todo.

Diariamente constatamos que verdades têm sido diluídas e distorcidas a partir de comportamentos que mascaram a realidade, causando evidente segmentação dos valores que são basilares para o convívio e da própria sociedade. 

É evidente que o mundo, a humanidade, vive e convive com esse grande paradoxo!

Daí a importância de que cada indivíduo cumpra seu papel de cidadão influenciando no aperfeiçoamento das relações humanas e sociais.  Isso é o exercício daquilo que chamamos de cidadania, que privilegia o interesse comum e não interesses pessoais ou de pequenos grupos. Isso é a ação da liberdade individual em prol do coletivo. Isso é fortalecer os princípios basilares e universais que orientam a vida em sociedade para que possamos efetivamente ajudar na construção de uma sociedade fundada na justiça e na solidariedade.

Repita-se, a sociedade moderna vive e convive com esse paradoxo talvez pelo evidente afrouxamento dos laços familiares, que forjam a socialização primária com regras e valores básicos importantes para o convívio social. 

Com apreensão percebemos que parte da sociedade contemporânea também tem se distanciado dos valores espirituais, deixando se envolver e tentando impor uma realidade meramente materialista. 

Essas mudanças comportamentais são de fácil constatação quando nos deparamos com a flagrante inversão de valores que alguns buscam no intuito da prevalência de interesses, muitas vezes, pouco recomendáveis. Diariamente notamos que verdades têm sido diluídas e distorcidas a partir comportamentos que mascaram a realidade, causando evidente segmentação dos valores que são basilares para o convívio e da própria sociedade. 

Tal qual ocorre na lenda de Fausto, imortalizada por Goethe, com frequência atitudes antiéticas são justificadas na ética. É a ficção se tornando realidade!Essas questões precisam, como uma necessidade, ser refletidas para que todo indivíduo, no exercício de sua liberdade, interrogue sua consciência e indague se está satisfeito com seu desempenho enquanto cidadão.  Lembremos que cabe a todo indivíduo interrogar sua consciência e indagar se está satisfeito com seu desempenho enquanto cidadão.

Isso porque, dentro do princípio de liberdade, a qual não é absoluta, pois o direito do próximo deve ser respeitado inclusive para que se busque o constante convívio harmônico, sem intolerância ou discriminação, é inimaginável admitir que a quebra de paradigmas que afetam o contrato social estabelecido seja impositiva.

É assim que os valores da sociedade humana, construídos e sedimentados a partir de um passado coletivo, neste momento histórico da humanidade não podem ser menosprezados. Mas, ao contrário, devem ser examinados sob a ótica do bom senso e respeito, de modo que seja possível reconhecer qual é o nosso papel enquanto indivíduo na construção de uma sociedade mais equilibrada, na família e dentro de nós mesmos.

Esse tipo de reflexão fará ressurgir valores eventualmente adormecidos, o que poderá atiçar um sentimento de indignação ao não aceitar as coisas como estão sendo colocadas e, ao mesmo tempo, de coragem ao tentar mudar esse estado, gerando aquilo que chamamos de esperança que, por sua vez, cria uma dinâmica capaz de conciliar os interesses individuais e, sobretudo, os coletivos.

A partir disso, os homens de bem, enquanto artífices da construção da sociedade, estarão cumprindo plenamente seu papel de ajudar na transformação do planeta.

Como viver em sociedade é uma lei natural todos devem contribuir para o progresso coletivo, auxiliando-se mutuamente e influenciando no aperfeiçoamento das relações humanas e sociais.

E, como a fraternidade é a pedra angular de qualquer sociedade é de se lembrar que “... Quando (o homem) praticar a Lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio será melhor." .

Quando isso acontecer a humanidade viverá em um mundo mais justo e perfeito!

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