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Sábado, 27 de Junho 2026
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O Eu Espiritual, Qualidade de Vida e Segurança

Coronel PM Paulo Augusto Leite Motooka

O Eu Espiritual, Qualidade de Vida e Segurança
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Por meio do movimento #Metoo, no ano de 2019, religiosas de todo o mundo trouxeram a público denúncias sobre abusos sexuais praticados dentro da igreja. Diante da dimensão do movimento das freiras o papa Francisco, no dia 5 de fevereiro daquele ano, afirmou que “Houve padres e também bispos que fizeram isso”, disse ainda “Estivemos trabalhando por muito tempo sobre este assunto. Suspendemos vários clérigos que foram despedidos por esta causa” e afirmou “Temos que fazer algo mais? Sim. Temos a vontade de fazê-lo? Sim! ”.

Esta realidade, a ser enfrentada pela Igreja Católica, pode ajudar em uma compreensão holística do ser humano olhando para suas dimensões biológica, psicológica, social e espiritual.  

Por este conceito pode-se inferir que nós, seres humanos, nos organizamos nestas quatro dimensões, semelhante a uma mesa que se sustenta firme e segura sobre quatro pernas, logo caso uma delas (dimensão/pernas) estiver maior ou menor que a outra, será o suficiente para causar um desequilíbrio interior e assim afetar o físico, o social, o emocional e o espiritual.

No caso da mesa basta um mínimo de diferença no tamanho de uma das pernas para fazer derramar o liquido da jarra que está sobre esta.
No caso dos padres, que obedecem à proibição do casamento (celibato), desde o ano 1139, conforme declaração do Concílio de Latrão, esta justificada a abstinência em relação às suas necessidades biológicas e psicológicas ligadas à libido. Afinal, Jesus Cristo não se casou, dedicou-se de corpo e alma às orações e pregações e logo não manteve relações sexuais.  

Denota-se que pela escolha feita pelos clérigos a possibilidade de um desequilíbrio interior torna-se real, e em ocorrendo, o EU Espiritual sofrerá pressão dos demais EUs, a ponto de inesperada e impulsivamente levar o abstinente a ter comportamentos indesejados, por si próprio, e pela sociedade por meio de suas leis, costumes e valores morais. Daí o desajuste do EU Social e Psicológico.

Longe de querer polemizar a questão da fé, das crenças, valores e verdades, mas olhando para as dimensões humana, percebe-se que o celibato para manter superdimensionado o Eu Espiritual, deixa em outro plano a questão biológica, psicológica e social, e assim, alguns abstinentes acabam não encontrando recursos internos para manterem-se fiéis ao estilo de vida escolhido, findando com as práticas abusivas, no caso, contra freiras.

Aparentemente a condição de celibato sacerdotal requer muito equilíbrio psíquico ao considerar que a finalidade natural do instinto sexual é a reprodução para a perpetuação da vida, daí porque a natureza, dispôs aos seres vivos meios para consecução dessa finalidade, quais sejam, o cio animal (irracionais) e o desejo sexual humano (racionais). Por outro lado, a literatura científica tem demonstrado vários benefícios da atividade sexual, sobretudo nos sistemas cardiovascular, neurológico e imunológico.

Somos e funcionamos assim, portanto quando sentir algo em desequilíbrio internamente é importante, identificar qual das pernas está mais curta ou longa e recorrer aos profissionais da área, sendo muito importante saber identificar a verdadeira causa, pois uma dor de barriga pode decorrer de um momento de estresse ou ansiedade (psicológico), fome (biológico/psicológico), falta de sono (biológico/psicológico), alimento estragado (biológico), viroses (biológico/social), e etc (espiritual).   

Coronel PM Paulo Augusto Leite Motooka
Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública
Bacharel em Psicologia, Direito e Especialista em Direito Ambiental

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