Roma é uma das mais antigas cidades do mundo. Fundada mais de setecentos anos antes de Cristo, é conhecida mundialmente pelas construções milenares que abriga como o Coliseu e suas inúmeras fontes das quais a Fontana di Trevi é a mais famosa. Entre seus incontáveis patrimônios históricos e arqueológicos, a capital italiana conserva bem preservado o sistema de esgoto mais antigo do mundo.
A Cloaca Máxima (maior esgoto) foi construída por volta do ano 600 a.C. na cidade de Roma para drenar os pântanos do entorno e remover os dejetos da cidade despejando-os no rio Tibre.
Em 2020 foi promulgado no Brasil o Novo Marco Legal do Saneamento com a ambiciosa meta de ter 99% da população atendida com água tratada e 90% da população com o esgoto coletado, afastado e tratado até 31 de dezembro de 2033, prazo que a lei permitiu ser estendido até 2040.
Para atingir esta meta as empresas que prestam serviços de saneamento ficariam obrigadas a comprovar a capacidade financeira necessária para estender o atendimento conforme o previsto, contemplava também a extinção dos contratos entre companhias estaduais e municipais abrindo o mercado para empresas privadas.
A nova lei é passível de crítica no sentido de que não aborda os quatro pilares do saneamento básico quando dá ênfase para a coleta e tratamento de esgoto e o fornecimento de água tratada, deixando de lado os resíduos sólidos e a drenagem urbana. Também podemos considerar que foi perdida uma boa oportunidade de atrelar o projeto à resolução do ONU, da qual o Brasil é signatário, e determina que o abastecimento de água potável e esgotamento sanitário são Direitos Humanos (Resolução 64/A/RES/64/292, de 28.07.2010).
Por meio de decreto o governo federal tentou alterar o marco no sentido de garantir vantagens para empresas estatais em contratos, entretanto o decreto foi derrubado na Câmara. Por motivos bons como a pressão exercida pela opinião pública e pela iniciativa privada, e o repúdio geral por mudanças carentes de um projeto de lei que as embase; mas também por razões ruins como o "toma lá, dá cá".
Entre as mais diversas opiniões, desde aquelas que advogam que a prestação de serviços de saneamento deva estar à cargo do governo e até as que são entusiastas da iniciativa privada fornecendo a água tratada e coletando o esgoto, deve prevalecer o interesse do cidadão. Em 2023 é inadmissível que brasileiros vivam sem sistemas de água e esgoto, se as estatais conseguirem comprovar sua capacidade de fornecer essa infraestrutura, que elas forneçam. Caso contrário, a necessidade se impõe, a iniciativa privada deve atuar e permitir a todos os seres humanos que vivem no Brasil a dignidade que os romanos já tinham 600 anos antes do nascimento de Cristo.