Engana-se quem acha que o atual eleito presidente não teria tantos apoiadores como o que foi evidenciado pelas urnas. Com certeza, muitos guardam um pouco de vergonha em se anunciarem seus eleitores por conta da fraqueza moral que o levou à prisão, mas não nos iludamos, milhões continuam acreditando nas suas promessas redentoras.
Outro dia, um desses seguidores, até, posso dizer, com bom grau de instrução, justificou a sua preferência política por que dizia ser uma pessoa preocupada com os pobres, pois, segundo ele, os ricos já têm muito. O discursinho fácil do título é esse “Eliminar a pobreza”, “Acabar com a fome”. É fácil dizer e, pelo que temos visto, tem sido também fácil acreditar que a coisa é assim simples.
Ao conversar com esse senhor notei mesmo que falava com pureza de espírito, não com ares de militância cega. Pureza de espírito embalada por uma idealização simplista de algo tão complexo e dissociado da realidade do mundo regido pelo capital e pelas debilidades da natureza humana. Ao se procurar acabar com a fome dando comida ou acabar com a pobreza distribuindo dinheiro, cria-se um processo insustentável, que mina os recursos públicos, as famigeradas bolsas.
No mesmo instante que escuto essas frases carregadas do mais puro populismo, lembro-me do nosso grande treinador de vôlei, Bernardinho, que numa de suas palestras falou que ao conversar com seus atletas enfatizava que de nada adiantava querer ganhar, o que os atletas realmente precisavam é querer treinar. Só o treino sério permitiria alcançar a tão almejada vitória.
A pobreza e a fome só são combatidos com a disponibilização de emprego a todos. E o emprego, por sua vez, só é alcançado por aqueles que têm conhecimento e a necessária formação. E ai novamente nos colocamos frente a frente com aquele que é o remédio para todos os males: a Educação. Só a Educação tira o cidadão da linha da pobreza. O regime de bolsas só faz perpetuar a ignorância e a miséria e transforma o cidadão em refém do Estado, o que os governos populistas usam para se perpetuar no poder. É o antigo voto de cabresto, só que aqui sustentado pelo recurso público.
A grande vantagem dessa postura é que, ao priorizarmos a educação como arma contra fome e a pobreza, conseguimos atender a outras demandas de nossa sociedade. Com cidadãos mais bem formados, os problemas de segurança serão minimizados e a democracia se fortalecerá na medida que mais conscientes e conhecedores da realidade terão melhores condições de votar, não sendo vítimas do discursinho fácil.
A ideia central dessa reflexão é a de substituir aquele discursinho fácil por outro mais real e honesto: “vamos acabar com a ignorância”. O candidato que se apresentar com este discurso já tem meu voto.
* Um cidadão brasileiro
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se