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Domingo, 28 de Junho 2026
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O buraco é mais embaixo

Colunista *Percival de Souza

O buraco é mais embaixo
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O Congresso estabeleceu regime de urgência para o trâmite do projeto de lei 1.283/25, que poderia salvar a Pátria ao equipar crime organizado a terrorismo. Não se trata de uma tese bizantina.

O cérebro da facção criminosa dominante é muito ativo, diferente de certos doutos e sábios. Vamos injetar o que de fato importa nas massas encefálicas. Um pesado custo atinge o mundo em que os negócios gravitam, provocando compreensível temor para fazer investimentos. Nossos sábios, togados ou de becas, não enxergam que é exatamente isso o que atinge de forma destruidora o lucro que deve superar custos e despesas dos investimentos.

São variantes retratáveis, por exemplo, os dermocomésticos subtraidos das redes farmacêuticas, provocando graves perdas nas vendas. Não é só: os bandos criminosos organizados destroem estruturas de comunicação e, como observou Nelson Niero, colega do “Valor Econômico”, lançam intimidativos disparos de grosso calibre contra os consumidores. O Observatório Custo Brasil estima que fazer um negócio no Brasil consome despesas de R$ trilhão a mais do que a média dos países da OCDE, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Mais: de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança, as facções se locupletaram, de 2022 para cá, com uma receita superior a R$ 146 bilhões, obtida com combustíveis, bebidas, cigarros e barras de ouro. A fortuna representa muito mais do que o tráfico de cocaína, estimado em R$ 15 bilhões/ano.

Traduzindo para o nosso mundo (os falsos “especialistas” vivem em outro): várias áreas da economia foram tomadas de assalto quando se trata de roubos dentro da própria empresa ou a carga durante os transportes. Os gastos com segurança privada (escolta) e seguros são cada vez maiores em casos de contrabando, falsificação de bebidas e roubo de cabos de energia e telecomunicações.

Cartas na mesa: evidente que o trâmite de um projeto de lei não é suficiente para estancar os poderosos fluxos do crime organizado. Ele não vai provocar uma assembleia geral das facções para decidir o que fazer, diante do risco de alterações nas previsões legais, com as quais nunca se importaram.

Sempre ficam os rastros dos tentáculos infiltrados por toda parte: uma capacidade incrível de gestão com fatores do crime, adotando variantes transformadas em negócios, sempre um passo à frente de quem deveria contê-los e não consegue.

*Jornalista e escritor

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