Sócrates, como um divisor de águas na filosofia antiga, juntamente com Platão, é considerado como um dos principais percursores da ideia cristã.
É certo que a doutrina de Cristo é muito mais completa e depurada que a de Sócrates, mas, tal qual o Cristo, ele não deixou nenhum escrito e nós o conhecemos pelos apontamentos de seu discípulo Platão.
Disse Sócrates: nosce te ipsvm, ou seja, conhece-te a ti mesmo. E, a partir da ideia do autoconhecimento, do conhecimento de si, concluiu que essa é a base para todos os outros conhecimentos sobre o mundo. Mas, acrescentou que para estarmos aptos para buscar o conhecimento verdadeiro é preciso que abandonemos os nossos preconceitos.
Nesse contexto, a busca de conhecer o que e quem somos, o conhecimento de si mesmo, é a chave para o melhoramento individual, de modo que a tarefa principal de todo ser humano é fazer sua reforma íntima e, como consequência, adquirir um bom caráter. Isso porque, cuidando de nós mesmos, modificamos nossa relação com os outros e com o mundo, bem como nos tornamos seres melhores.
Aliás, é de se lembrar da lição que diz que o homem de bem interroga a consciência sobre todo o bem que faz e todo aquele que deixou fazer, porquanto sempre é o tempo de refletirmos sobre a vida e compreender quantos sofrimentos e decepções poderíamos ter evitado se tivéssemos agido com humildade, perdão e autoanálise.
Enfim, como uma necessidade, é preciso buscar compreender a sabedoria dessa máxima já sabendo que a maior dificuldade que encontraremos está justamente em se conhecer a si próprio, pois iremos enfrentar os nossos próprios defeitos para em seguida corrigi-los.
Mais ainda, é preciso fazer essa reflexão sempre procurando absorver e colocar em prática os ensinamentos do Cristo, enquanto um princípio regenerador que propicia o progresso moral pessoal e, consequentemente, do meio em que vivemos.
Cuida de ti; conhece-te a ti mesmo; vive melhor consigo mesmo e, como decorrência, com seu semelhante.
Essa é a nossa grande fortuna na matéria e, sobretudo, na espiritualidade.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca