Aguarde, carregando...

Domingo, 28 de Junho 2026
Notícias Colunistas

Não se leva a sério

Colunista *José Renato Nalini

Não se leva a sério
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Os fenômenos climáticos extremos não podem ser chamados “desastres naturais”. São consequência direta dos maus tratos perpetrados pela humanidade contra a natureza. A ciência perdeu a voz de tanto alertar os seres chamados “racionais”, de que a exploração dos recursos postos à disposição da convivência deve ser cautelosa, prudente e baseada num fato inevitável: as necessidades são crescentes, os insumos são finitos.

O resultado é traduzido em chuvas inclementes, ondas de calor, rajadas violentas que derrubam árvores, causam deslizamentos e desmoronamentos, ceifando vidas que poderiam ser preservadas, não fora a incúria de grande parte dos responsáveis.

A maioria dos municípios não dispõe de equipes e recursos materiais para proteger a população. Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN, nada obstante o equívoco na denominação, enviaram questionários on-line para a defesa civil dos 5.570 municípios do Brasil. Chegaram respostas de 1993, dos quais 72% não tinham orçamento para implementar políticas de prevenção a desastres e 67% não possuíam veículos para trabalho de campo. Em 59% dos casos, as equipes eram formadas por apenas uma ou duas pessoas, 56% não possuíam equipamentos de proteção individual. 53% não contavam com celular com acesso à internet e 30% não tinham computador.

Enquanto isso, como são os gastos municipais com festividades que poderiam ser deixadas de lado enquanto não se cuida da proteção da vida dos cidadãos? Tem sido noticiado que em cidades de baixíssimo IDH, a verba destinada a festejos juninos supera aquela reservada para a saúde, educação e saneamento básico.

Uma cidadania consciente se vê chamada a influenciar os gastos de sua cidade, para que o essencial venha a ser assistido com prioridade. Não há clima de festa quando seres humanos correm risco de vida por omissão, incúria, negligência ou ignorância de quem tem responsabilidade de cuidar de seu povo.

* Reitor da Uniregistral, docente do Programa de Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR