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Domingo, 28 de Junho 2026
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Não é mau: é guará!

Colunista *José Renato Nalini

Não é mau: é guará!
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Uma das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção é o lobo-guará. Alimentados pela estória do “Chapeuzinho Vermelho”, os brasileiros têm resistência ao verbete “lobo”, sempre associado ao qualificativo “mau”.

                O lobo-guará não é mau. E, para quem não sabe, se alimenta de um fruto produzido pela lobeira. A saúde do lobo-guará depende do consumo dessa fruta para a defesa contra um verme que ataca seus rins e o mata.

                A fruta-de-lobo ou guarambá, tem formato de arbusto e pertence à mesma família do tomate e do jiló. Além de tudo, é ornamental. Foi o que levou a arquiteta Maria Cristina Garcez a criar uma RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural em Bananal. Ela se impressionou com a planta de belas flores arroxeadas e ficou sabendo de sua importância para a preservação do lobo-guará.

                Não esmoreceu, diante da oportunidade de devolver à natureza um pouco do muito que dela se extraiu. A área encontrada estava totalmente degradada, depois de ter servido para o plantio de café e de se transformar em pasto. Última etapa antes de se converter em deserto.

                Selecionou cerca de setenta mil mudas de cento e três espécies nativas da Mata Atlântica, algumas delas também ameaçadas, como cedro-rosa e jequitibá. Conseguiu que alunos das escolas da região fizessem trabalhos e desenhos sobre o lobo e também plantassem árvores. Deixaram plaquetas com seus nomes junto à arvore que plantaram.

                Gesto generoso que evidencia sensibilidade em relação ao maior perigo já enfrentado pela Humanidade, que é o seu desaparecimento, se não tiver juízo e não adaptar as cidades para os fenômenos extremos que advêm das mudanças climáticas. Tudo causado por nós mesmos, que prosseguimos no desmatamento e na crescente emissão de gases venenosos geradores do efeito estufa, que desequilibra a atmosfera e o clima. Em vez de lamentar o atual estado do mundo, faça alguma coisa para preservar a vida e garantir a continuidade da aventura humana sobre a Terra. 

                É um belo exemplo que pode ser replicado em várias cidades. Não há município do Brasil que não precise de mais árvores. Faça parte da solução, não do problema, a cada dia mais grave e ameaçador.

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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