Não, infelizmente não falarei do Gabriel Medina ou do Brazilian Storm. Na minha família, meu genro Pedro, poderia tratar desse assunto com muito mais propriedade. Irei tratar de algo que no momento é mais importante e crítico para a condição do nosso país.
Até o momento, dia 10 de maio de 2021, o nosso país, o país do surfe, perdeu para a Covid cerca de 420.000 vidas. Esse número choca? Com certeza, digo: sim. Esse número nos entristece? Respondo: muito. Se me perguntam: te surpreende? Afirmarei, com todas as letras: jamais.
Em se tratando do controle de uma pandemia que exige por parte da população rigorosas medidas de distanciamento, de circulação de pessoas e de uso de equipamentos de proteção individual, não poderia esperar condição diferente da atual.
O nosso baixo nível educacional, que se reflete diretamente sobre a nossa cultura e costumes, cria esse ser peculiar que tem dificuldades de seguir as regras, notadamente quando estas lhe privam a liberdade ou trazem qualquer tipo de desconforto. Na terra de Macunaíma, não existe o senso de coletividade, as pessoas, mesmo com todas as restrições, frequentam as baladas e os pancadões, se encontram com os amigos no churrasco ou no barzinho e, ainda, não se sentem na obrigação de usar máscaras, nem em respeito ao próximo. As suas vontades são muito mais importantes que qualquer coisa indesejável que venha a ocorrer, até mesmo em sua família.
Hoje, enquanto ainda morrem 2.000 brasileiros por dia, no meu trajeto para o trabalho, em algumas centenas de metros, cruzei por dezoito pessoas, dessas apenas nove usavam de forma correta a máscara, e em todas as outras nove não se podia distinguir nenhum tipo de constrangimento ou vergonha por não estarem cumprindo esta regra básica. As pessoas, seja por ignorância, seja por empáfia, não se veem obrigadas a participar da solução do problema. "Isso não é comigo".
Está certo que uma liderança firme para a imposição e conscientização, visando o cumprimento das regras, poderia ter minorado os desastrosos índices alcançados. Digo minorar por que culturas e costumes não se modificam em tão curto prazo.
Os nossos governantes, no entanto, ao invés de unirem a nação diante desse grande inimigo, se rivalizaram em disputas verbais e políticas com foco nas próximas eleições. O maior deles, tem sido chamado mesmo de genocida. Não o chamaria assim pois isso implicaria em dolo e a ele creio só se imputa a culpa, por estreiteza no pensar, de não enxergar o papel que deveria ter como líder diante de tão grave situação. Se aqui prevalecessem as leis do cristianismo, poderia se evocar LUCAS 23: 24 : "Pai perdoai-lhe(s), ele(s) não sabe(m) o que faz(em)".
E nós, muitos sem vacina, continuamos a surfar a onda. Virão outras?
Só para que não se fique com a impressão errada do meu genro, assim como ele escreveria com profundidade sobre o Brazilian Storm, grande surfista que é, certifico que também executaria um magistral aéreo nesta questão da pandemia, por ser respeitado médico, formado na Universidade de São Paulo e estar na linha de frente como intensivista no Hospital Sírio-Libanês.
Eduardo Diniz
Um Cidadão Brasileiro.