Neste mês de fevereiro, o Brasil comemora 88 anos da conquista do voto feminino, incluído pela primeira vez no Código Eleitoral promulgado por Getúlio Vargas em 24 de fevereiro de 1932. Fruto de décadas de mobilização das mulheres brasileiras, essa conquista ainda foi incompleta – apenas as mulheres autorizadas pelos maridos poderiam votar – mas, ainda assim, um marco que possibilitou todos os avanços que tivemos depois.
Ainda hoje, o Brasil é um dos países democráticos com menor representatividade feminina na política. Mesmo com o aumento de 51% no número de mulheres no Congresso Nacional, a partir das eleições de 2018, nós chegamos a apenas 15% do total de parlamentares.
Aqui na cidade de São Paulo a situação é um pouco melhor: nas eleições de 2016, tivemos um aumento de 120% da bancada feminina, chegando a 11 vereadoras (20% do total de parlamentares da Câmara Municipal). Porém, sendo 52% do eleitorado, ainda existe uma sub-representação das mulheres na política.
Quando olhamos para a política de forma mais ampla, e não apenas a política eleitoral, a situação é diferente. Nas associações de bairro, conselhos participativos, conselhos de escolas e de saúde, Consegs e em tantos outros espaços comunitários, a mulher é maioria, inclusive nas funções de liderança. Na política “profissional”, no entanto, ainda existe aquele sentimento de que há espaços em que a mulher não pode estar.
Além de falsa, essa ideia nos afasta de alguns dos avanços existentes em lugares onde a mulher ocupa os espaços de decisão e poder. Uma pesquisa realizada em 2018, analisando 125 países, mostrou que a corrupção é menor onde mais mulheres participam do governo. O levantamento também constata que as mulheres tendem a priorizar políticas públicas que atendam às pessoas, como saúde e educação, sendo menos voltadas à realização de novas obras e mais engajadas na melhoria de serviços j&aa cute; ex istentes. E conclui que essa tendência se dá tanto nos governos nacionais quanto locais (Estados e municípios).
Porém, os desafios da mulher na política não acabam quando alcançamos o espaço de poder. Ainda existe a interrupção das falas das mulheres, sentido até mesmo por ministras do Supremo Tribunal Federal. Também persiste a ideia de que a mulher é mais afeita a temas sociais e culturais, enquanto assuntos financeiros, jurídicos e de infraestrutura seriam áreas masculinas. E mesmo tendo direitos políticos há 88 anos, faz apenas quatro anos que as mulheres conquistaram algo tão simples como um banheiro feminino no pl en&aacut e;rio do Senado Federal.
Tudo isso faz parte de um processo de décadas, em que vamos avançando, às vezes mais devagar do que gostaríamos, na direção da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. Somos as herdeiras de grandes pioneiras, percorremos os caminhos que elas nos abriram, e agora é a nossa vez de continuar essa marcha na direção de uma sociedade melhor para todas e todos.
* Vereadora da cidade de São Paulo e presidente da Associação das Vereadoras do Estado de São Paulo. E-mail: adrianaramalho@adrianara malho.co m.br
Adriana Ramalho
Mulheres na política
Neste mês de fevereiro, o Brasil comemora 88 anos da conquista do voto feminino
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