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Domingo, 28 de Junho 2026
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Morte não manda recado

Colunista *Percival de Souza

Morte não manda recado
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Para matar, é preciso antes cultivar o ódio. O crime é um tipo de doença social, empobrecimento da alma. Abel foi morto pelo invejoso irmão. Nasceu a síndrome de Caim.

Os olhos da letalidade estão contemplando a Polícia Militar. Morrer pode, matar nunca. Câmeras vigilantes na farda, exige-se. Coletes à prova de balas, indispensáveis. É o pêndulo da morte. Letalidade é doença grave, causa o fim da vida. Mortalidade é a população em situação de risco, impactada por uma doença. Da letalidade marginal, apavorante com latrocínios, a violência bandida, os que exigem coletes nos policiais nem querem falar. O sistema de persecução custa muito caro, é repleto de vantagens e fica devendo resultados satisfatórios. Não basta, sendo responsáveis também, ficar só olhando para os outros. Combater o crime não é combater a Polícia.

 Ritual: se for uma reação provocada pelo bandido, elabora-se um “auto de resistência”. Revide a uma “injusta agressão”. Aí se torna criminalmente uma “exclusão de ilicitude”. Os analistas, sempre à distância, gostam de comparar o número de criminosos vítimas fatais com o de policiais tombados ou feridos, com os quais não se importam. Acham que se morrem muitos bandidos (não são anjinhos incomodados), policiais deveriam morrer em número equivalente. Vampiros querem sangue do lado de cá.

Homicídio doloso é o praticado com intenção. Policial suspeito de exagero? Pode ser. Mas no sofrimento e a dor dos familiares das vítimas, nunca pensam. Os casos podem traduzir multiplicidade (vários, em massa) ou chacina (muitos mortos ao mesmo tempo). Execuções.

A arma de fogo é instrumento de trabalho do policial. Mas vira e mexe tem juiz, promotor e pessoas que se sentem potencialmente ameaçadas, querendo porte de arma para se defender. Recomenda-se a todos os sofistas sairem com a PM para saber como é ser recebido à bala, alvejado em tocaia e, com nervos de aço, apertar o gatilho - decisão a ser tomada em segundos. Matar ou morrer. Sempre com risco da própria vida em defesa da sociedade, a única profissão que exige esse tipo de juramento quase hipocrático.

Estamos expondo uma situação em que o medo provocado pela insegurança invade corações e a preocupação predominante é vigiar a Polícia. Claro, ela deve ser controlada e para isso existe a Polícia da própria Polícia, a sua Corregedoria. O olhar sobre ela, sem miopia, precisa ser macroscópico.

*Jornalista e escritor

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