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Sexta-feira, 17 de Abril 2026

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Mesquinharia acadêmica

Colunista *José Renato Nalini

Mesquinharia acadêmica
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Nas Academias, chamamo-nos “confreiras” e “confrades”. Ou seja: devemos nos portar como irmãos. Mas a espécie humana é bizarra. Ressalvado o verniz de polidez obrigatório entre pessoas eruditas e presumivelmente civilizadas, aflora nos múltiplos espíritos que ali convivem, aquelas fissuras das quais ninguém está liberto.

            Assim foi na Academia Brasileira de Letras, criada em 1897 por Machado de Assis e seus amigos. Humberto de Campos, um dos mais sarcásticos integrantes da ABL, era muito crítico em relação a vários de seus “confrades”. Extraio do seu delicioso “Diário Secreto”, algumas pílulas que ele fez questão de deixar registradas.

            Por exemplo: menciona que em artigo publicado no mensário “ABC”, Lima Barreto diz que Lauro Müller, para conseguir um livro que justificasse a sua entrada para a Academia, teve que imprimir um discurso em papelão e em letras garrafais. Só assim arranjou ele um volume, como exigem os estatutos da instituição.

            Mais adiante, atribui a João Ribeiro uma veemente crítica a Rui Barbosa, a quem acusa de vaidoso. Vaidade que o fazia abusar da paciência dos outros, seja quando escrevia, fosse quando falasse.

            “O Rui não tem a noção do tempo e supõe que os outros não a têm também. Depois, comete uma incivilidade, detendo os que o ouvem nos teatros ou no Senado, quando esses podem ter ocupações e interesses urgentes no decorrer das quatro ou cinco horas e que ele os retém”.

            Quando João Ribeiro foi alertado, por Humberto de Campos, que Rui havia brilhado na Conferência de Haia, o que lhe reservou o título honorário de “Águia de Haia”, a resposta de João Ribeiro foi: - “Foi um sucesso... mas só para uso no Brasil. Na Europa, a impressão que deixou e que eu ainda ali encontrei, foi a de um orador “cacetíssimo”, que supunha a Conferência especialmente convocada para ele e que não foi, além de tudo, entendido convenientemente, por ter uma dicção francesa defeituosa”.

            Se entre “confrades” esse é o tom, o que esperar do convívio entre não letrados, no Brasil em que existem milhões de analfabetos e outros milhões de “analfabetos funcionais”?

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. 

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