A memória é uma função psicológica que permite que parte do nosso cérebro, principalmente no hipocampo, adquire e armazene informações dos vários sentidos.
As memórias são arquivadas no passado e no presente para serem utilizadas no futuro.
Como nos dispositivos eletrônicos, nos HDs guardamos dados por um período de tempo, no entanto como seres humanos, somos diferentes, pois podemos lembrar-nos de fatos da infância importantes e esquecê-los por algum motivo ou complexo emocional.
Todos nós já esquecemos algum objeto, lugar, compromisso ou lembranças. O esquecimento faz parte do funcionamento da memória cerebral.
Esquecer é normal e necessário para dar lugar a novas ideias e fatos para nossa consciência egoica. Muitos conteúdos ficam no subconsciente ou inconsciente, e quando precisamos nos lembrar, eles emergem, se forem importantes e significativos como nos sonhos, caso contrário esquecemos por que não precisamos ou não queremos lembrar.
Com o passar dos anos nossos neurônios vão morrendo e temos a tendência de esquecer pequenas coisas, principalmente memórias recentes, como acontece com algumas doenças neurodegenerativas, e algumas demências.
A partir do momento que o esquecimento interfere na vida cotidiana, comprometendo a independência pessoal e social, começa a preocupação.
O transtorno neurocognitivo ou demência é o conjunto de sintomas e alterações na memória de longo, médio ou curto prazo, que afetam o raciocínio, julgamento, linguagem e o pensamento.
Fique atento quanto tiver alterações no humor sem motivo, guardar objetos e não se lembrar de onde estão ou ficar mais lento nas atividades, esquecer palavras comuns, repetir as mesmas perguntas com frequência, esquecer onde está e se sentindo perdido. A doença mais comum é o Alzheimer, que é grave e pode ser hereditária entre outras causas e estudos recentes têm evoluído com medicamentos que podem retardar esse processo.
Algumas causas dos esquecimentos podem ser a depressão, muita ansiedade e estresse, transtorno do sono, síndromes metabólicas e endócrinas, medicamentos, traumas, alcoolismo, excesso de informações como num HD cheio, etc.
Nossa memória é seletiva, às vezes esquecemos o que não queremos nos lembrar, como um mecanismo de defesa do ego, ocorrendo até atos falhos.
Muita preocupação e tensão no dia a dia com excesso de visualização nas mídias sociais e estímulos externos prejudicam a memória, podendo ter um apagão, dando um branco quando você mais precisa se lembrar de como num vestibular, com medo de errar e não dar conta da pressão.
Esquecer algo e voltar para buscar e esquecer o que veio buscar, desde que seja logo após, é normal, pois queremos fazer várias coisas ao mesmo tempo, o que não é possível e sempre se dá preferência a um fato mesmo querendo fazer várias coisas, assim acabamos por esquecer o que queríamos lembrar ou não, quem sabe. Atualmente o esquecimento não afeta apenas os mais idosos, pela perda de neurônios, afeta também muitos jovens por excesso de informações e preocupações ansiosas.
Por isso não se cobre tanto, respeite seus limites, a vida é feita de bons momentos, os ruins tente superá-los e não sofrer tanto por eles, que estão no passado. Não confundir esquecimentos com anosognosia.
Anote com caneta e papel os compromissos futuros, numa agenda ou use artifícios mnemônicos, você não é um supercomputador com HD cheio.
*Psicólogo e psicoterapeuta
Comentários: