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Sábado, 27 de Junho 2026
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Machismo no futebol: quando a autoridade feminina ainda é questionada

Colunista *Aline Teixeira

Machismo no futebol: quando a autoridade feminina ainda é questionada
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O futebol é um dos maiores símbolos culturais do Brasil. Ele mobiliza paixões, constrói narrativas e influencia comportamentos. Justamente por isso, tudo o que acontece dentro e fora de campo tem peso social. O recente episódio envolvendo o depoimento do jogador Gustavo Marques sobre a atuação da árbitra Daiane Muniz reacendeu um debate necessário: o machismo estrutural ainda presente no esporte.

Não se trata apenas de uma discordância técnica sobre decisões de arbitragem — algo comum no futebol. A questão central é o tom e o direcionamento das críticas quando a autoridade em campo é uma mulher. Árbitros homens erram todas as rodadas, são contestados, criticados e pressionados. Mas quando uma mulher ocupa essa posição, o questionamento frequentemente ultrapassa o campo profissional e passa a carregar deslegitimação, insinuações e ataques à sua competência de forma mais agressiva.

O problema não está na crítica esportiva, mas no padrão. Mulheres em posições de autoridade ainda precisam provar constantemente que merecem estar ali. No futebol, ambiente historicamente masculino, essa resistência se torna ainda mais evidente. A presença feminina no apito desafia uma cultura que por décadas tratou o esporte como território exclusivo dos homens.

Esse tipo de reação não é isolado. Ele dialoga com o que acontece em empresas, na política e em diversas áreas da sociedade. Quando mulheres assumem funções de liderança, são avaliadas com critérios mais rígidos e frequentemente enfrentam descrédito antecipado. A mensagem implícita é a de que aquele espaço não lhes pertence.

É fundamental compreender que representatividade no esporte também é transformação cultural. Árbitras como Daiane Muniz não ocupam apenas uma função técnica, sua presença comunica a meninas e mulheres que o futebol também é espaço delas. Questionar decisões faz parte do jogo, mas deslegitimar a profissional por ser mulher é perpetuar desigualdades.

O futebol tem força para educar e para reproduzir comportamentos. Quando naturalizamos ataques desproporcionais a mulheres em campo, reforçamos a ideia de que autoridade feminina é exceção ou fragilidade. E isso ultrapassa as quatro linhas.

Eu sou Aline Teixeira e acredito que combater o machismo no esporte é também fortalecer uma cultura de respeito, igualdade e justiça dentro e fora de campo. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.

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