Aguarde, carregando...

Domingo, 28 de Junho 2026
Notícias Colunistas

Lygia, a eterna

Colunista *José Renato Nalini

Lygia, a eterna
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

            O vestibular da USP em 2026 oferece aos vestibulandos a oportunidade de ler ou reler Lygia Fagundes Telles, a nossa maior romancista. O livro escolhido foi “As Meninas”, de 1973, escrito no auge do autoritarismo. O pesquisador Fernando Breda analisa a obra, hoje muito distante do mundo da geração “nem-nem”, que pouco lê e que talvez desconheça a importância de Lygia.

            Ele recorda que “as meninas residem em um pensionato de freiras, que está praticamente vazio. No período em que transcorre o romance, há uma greve na universidade, e a maioria dos estudantes voltou para suas cidades”. São as meninas que contam a história. “Os estudantes podem pensar a história a partir de uma imagem que está no livro. Ou seja, uma pirâmide ou um triângulo, se o leitor preferir, no qual estão situadas em cada vértice as três personagens que estruturam o andamento do enredo: Lia, Ana e Lorena”.

            As reflexões das jovens, seus pensamentos, são mais importantes do que o próprio enredo. O livro é dividido em doze capítulos, cada qual contemplando uma das garotas. Fernando Breda não se arrisca a dizer se os vestibulandos de 2026 são muito diferentes da juventude dos anos setenta. Mas propõe que os jovens leitores leiam “As Meninas” “como um espelho quebrado, no qual podem exercitar um jogo de identificação e desidentificação com as vidas das personagens”.

            Lygia, com quem tive o privilégio de conviver, sempre ansiava por leitores. Em todas as suas palestras, clamava: “Leiam-me! Leiam-me! Eu preciso de vocês!”. Sobre Lygia, falecida em 3 de abril de 2022, críticos literários de todo o mundo a consideraram uma das notáveis prosadoras da literatura brasileira. “As Meninas” foi livro traduzido e publicado na Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, França, Itália, Sérvia, Japão e Eslováquia. Foi adaptado para o cinema em 1995, sob a direção de Emiliano Ribeiro, com as atrizes Adriana Esteves, Drica Moraes e Cláudia Liz.

            Quem escreveu como Lygia, com o seu profundo conhecimento sobre a alma feminina, viverá eternamente. Sorte de quem mergulhar no prazer de ler “As Meninas” e de toda a obra dessa paulistana que é uma das maiores legendas desta terra de Piratininga.

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR