O conceito de liberdade é estudado e debatido sobre vários enfoques: filosófico, jurídico, ético, religioso.
Com a devida licença, quase poética, num exercício de acomodação, talvez seja possível, embora ousado, alinhar os diversos conceitos partindo da premissa de que o homem é um ser gregário que vive e convive em sociedade, de modo que, em sob qualquer vertente, a condição de exercitar sua vontade e fazer escolhas, decorrente de seu livre-arbítrio, deve respeitar os direitos alheios.
Nesse contexto, exceto no campo da abstração, ou seja, quanto à liberdade de pensamento e de consciência que é inquestionável, pois não há qualquer entrave que possa impedir a pessoa de tê-los, inexiste a liberdade absoluta, pela simples razão de que convivendo em sociedade sempre haverá o dever de respeitar o direito de liberdade de outrem. Essa “dependência”, porém, não tira o direito que toda pessoa tem de ser dono de sua própria vontade.
No entanto, o atributo pessoal da liberdade de agir não deve ser confundido com libertinagem porque, quando isso acontece, inevitavelmente, limites são ultrapassados tendo como resultante a ofensa aos direitos de outras pessoas.
Ter consciência da fronteira entre liberdade e libertinagem é possuir compreensão acerca da lei natural que permite que as pessoas optem por qual caminho querem seguir.
Desta forma, como disse Rodolfo Caligaris, em “As Lei Morais” - 2001, “o homem é por natureza, dono de si mesmo, isto é, tem o direito de fazer tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao desenvolvimento de sua vida. Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sê-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esse mesmo direito de cada um de seus semelhantes.”
Como, conforme o alerta de Sêneca, “nenhum vento sopra a favor daquele que não sabe para onde quer ir” é de se ter consciência de que a liberdade está lincada com responsabilidade, uma vez que toda pessoa deve estar atenta para que suas atitudes não desrespeitem outras pessoas.
Quem pratica a máxima do amar ao próximo como a si mesmo age com total liberdade e responsabilidade, porque exercita sua vontade e faz escolhas respeitando o direito alheio.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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