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Domingo, 28 de Junho 2026
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Inteligência artificial

Colunista Arnaldo Luis Theodosio Pazetti

Inteligência artificial
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A capacidade de explicar amanhã porque não ocorreu hoje o que foi previsto ontem é atribuída, jocosamente, a economistas. Não tenho nada contra economistas, mas, nessa crônica, preciso da analogia.
É exatamente isso que se dará com cientistas que desenvolvem a inteligência artificial (I.A.).
No futuro, nem tão distante, tentarão explicar a “personalidade adquirida” dessa “inteligência sem alma”. Robôs executarão (quase) todas as tarefas que realizamos hoje. Entre os "rascunhos a lápis" dos cenários para o amanhã das I.A., há dois, curiosamente antagônicos, que chamam atenção. Num deles, as pessoas terão renda suficiente (o que alimenta o debate para adoção de mecanismos estatais que promovam uma renda mínima global) e tempo para o lazer. A riqueza será gerada, a passos largos, pela inteligência artificial e seus obedientes robôs serviçais; no outro, será criada uma legião mundial de seres humanos inúteis (desconfortável adjetivo utilizado pelo escritor israelense Yuval Noah Harari para se referir à espécie animal que – até agora – reinava soberana por aqui). Não aposto fichas em qual cenário se revelará. Torço para que seja o melhor possível, e que viva o suficiente para testemunhá-lo. Dependo da dedicação da I.A. para que avance rápido. Em grande (e imprevisível) escala, as pessoas perderão espaço para a “nova inteligência”, e descobriremos se isso será efetivamente bom ou ruim.
Contudo, há algo no mercado de trabalho que já vem sofrendo transformação: a distinção entre aqueles que dominam ferramentas de I.A. e os demais profissionais. E, se nada for feito, as vogais desse hiato irão se distanciar cada vez mais.
A inteligência artificial tem muito a evoluir. Ainda fornece informações erradas e, questionada, pede desculpas e retifica a resposta. Na produção de textos, comete erros primários como desconhecer regras básicas de colocação pronominal.
Não utilizo I.A. para a produção de crônicas. Os motivos são inúmeros. Especialmente, não quero me sentir enganando o caro leitor, com quem, há anos, tenho o prazer de compartilhar meus escritos. Afinal, de que valem crônicas estéreis de sentimentos? Mesmo que não possa competir com a I.A. em volume de conhecimento acumulado, ela não tem a capacidade de escrever alimentada por indignação, alegria ou comoção. Não sabe o que é criar uma crônica com um sorriso no rosto ou com lágrimas caindo sobre o teclado do computador. Eu sei!

Coronel PM, advogado e escritor

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