Mapeamento aponta que cerca de 13,6% de pessoas possuem anticorpos para o coronavírus na cidade e a prevalência maior ocorre em áreas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) menor
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), apresentou terça-feira (13/10) o resultado consolidado do Inquérito Sorológico (8 fases), realizado com os moradores da Capital, entre os dias 17 de junho e 24 de setembro. O mapeamento aponta que cerca de 1,61 milhão de pessoas possuem anticorpos para o coronavírus na cidade.
Nas oito fases do inquérito foram testadas 18.828 pessoas. Na última fase, a taxa de prevalência da infecção por SARS-COV-2 no Município ficou em 13,6% da população analisada. Entre os que testaram positivo, 38,2% eram assintomáticos.
De acordo com a variação dos resultados entre uma fase e outra, o total de pessoas contaminadas variou da seguinte forma nas regiões do município: de 10,7% a 19,6 % na Coordenadoria Regional de Saúde Sul; de 10% a 19,6% na Leste; de 8,5% a 13,8% na Norte; de 8,4% a 11,9% na Sudeste e de 3,7% a 10,3% na região Oeste da cidade. Os dados apontam um aumento ainda maior na prevalência nas regiões Leste e Sul na última fase do inquérito.
A partir da 3ª fase, os índices de prevalência são maiores em pessoas jovens, de até 49 anos, verificando-se a maior prevalência nesta Fase 7 na faixa de 35 a 49 anos (19,2%).
Com relação à escolaridade, consolidou-se a relação inversa da prevalência, variando de 3 a 6 vezes mais da fase 1 a 7. Ou seja, as pessoas com menor escolaridade foram de três a seis vezes mais contaminadas do que as com maior escolaridade (estas variações, de incidência de três a seis vezes maior entre os menos escolarizados, foram verificadas nas diferentes fases do inquérito).
Os índices de prevalência também seguem de 2 a 6 vezes maiores em pessoas das classes D e E, em comparação às classes A e B. No levantamento por raça e cor, os pretos e pardos seguem com um maior índice de prevalência da infecção em comparação aos brancos - chegando ao dobro de incidência nas fases 4 e 7.
Em todas as fases do estudo, os residentes em domicílios com um ou dois moradores se infectaram muito menos do que as outras faixas de moradores.
A pesquisa também apontou que a contaminação nos indivíduos que estão em teletrabalho é de 2 a 4 vezes menor do que entre os indivíduos que executam trabalhos presenciais - destacando-se, portanto, o teletrabalho como fator protetivo.
Com exceção da fase 3, observou-se em todas as fases do estudo que os indivíduos que não aderiram ao distanciamento social se infectaram de uma a três vezes mais. Adultos e jovens foram os que apresentaram menor adesão ao distanciamento social.
Sobre o inquérito sorológico
Com o objetivo de identificar o grau de contágio da população e conhecer a real letalidade da Covid-19 e, assim, nortear a atuação da Saúde Pública no enfrentamento da pandemia pelo novo coronavírus, a Secretaria da Saúde realizou um estudo analítico no Município com oito fases, em munícipes a partir de 18 anos.
A amostragem foi feita por sorteio aleatório na área de abrangência das 472 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e levou em consideração bases do IPTU de 2020, hidrômetros da Sabesp e cadastro da Estratégia Saúde da Família.
O morador da residência sorteada recebeu orientações do profissional da saúde sobre o estudo, assinou o Termo de Adesão à pesquisa e, diante do aceite, teve a amostra de sangue coletada.
Essa amostra foi encaminhada para análise no LabZoo - Laboratório vinculado a Secretaria Municipal da Saúde/Covisa, que subsidia as ações de vigilância epidemiológica do município. Após o processamento, o resultado do exame foi informado ao munícipe participante do estudo pela UBS de referência.