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Quinta-feira, 28 de Maio 2026
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História do 1º Batalhão de Políciamento de Choque Tobias de Aguiar – Rota

A trajetória do Batalhão, cuja data magna é lembrada em 15 de outubro

História do 1º Batalhão de Políciamento  de Choque Tobias de Aguiar – Rota
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Com o advento da República o então Corpo Policial Permanente foi, em 1º de dezembro de 1891, dividido em quatro Corpos, passando a denominar-se Força Pública, momento em que este Batalhão foi chamado de 1º Corpo Militar de Polícia, cuja missão era manter a tranquilidade, auxiliar a Justiça e defender as Instituições Republicanas. Após inúmeras denominações, passou a ostentar, a partir de 15 de dezembro de 1975, seu nome atual. Marcando, desde a sua criação, a história desta nação, este Batalhão teve seu efetivo presente em inúmeras operações militares, sempre com participação decisiva e influente, demonstrando a galhardia e lealdade de seus homens, podendo ser citadas, dentre outras, as seguintes campanhas de Guerra: Campanha do Paraná, em 1894, conhecida como Revolta da Armada, quando defendeu a República dos Federalistas, avançando de Itararé – interior de São Paulo – até Curitiba – Paraná; questão dos Protocolos, em 1896, pela morte de imigrantes alistados nas Forças Legais; Guerra de Canudos, em 1897, sendo responsável pelo último combate que derrubou o Reduto de Canudos, comandado por Antônio Conselheiro, que lutava contra a República. Suas ações foram positivamente citadas no livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que a ele se referia como “Batalhão Paulista”; Levante do Forte de Copacabana, em 1922, defendendo as fronteiras do Estado contra as invasões vindas do Paraná; Revolução Constitucionalista de 1932, quando o povo paulista lutou pelo retorno do Brasil à Constitucionalidade, aclamando Pedro de Toledo como governador;  Campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, para sufocar a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca, onde o então tenente Alberto Mendes Júnior, comandando um pelotão desta Unidade, foi vítima de uma emboscada, oferecendo-se em troca da liberdade de seus subordinados, quando foi assassinado, sendo promovido “post mortem” a capitão, e hoje considerado o herói símbolo do heroísmo e mais um marco histórico da Polícia Militar.  

O Quartel 

O Batalhão Tobias de Aguiar, criado em primeiro de dezembro de 1891, foi o terceiro quartel construído no então Corpo Policial Permanente. Projeto de autoria do notável arquiteto Ramos de Azevedo e inspirado na arquitetura militar francesa, de estilo surgido na Europa, na primeira metade do Século 19, com o nome de “Estilo Pós-Napoleônico”. Teve como modelo um quartel da Legião Estrangeira Francesa no Marrocos. Em seu subsolo há uma rede de túneis que faziam ligações com os quartéis vizinhos e com a estação ferroviária. 

O material para sua construção veio de diversas partes do mundo: telhas da França, tijolos da Itália e pinho de Riga, na Rússia. Atualmente, o prédio é patrimônio histórico e está tombado pelo Condepahaat. Além do túnel, há a chaminé, situada do lado externo, próximo ao prédio, que serviu de referencial, durante a Revolução de 1924, contando hoje com marcas de disparos de canhões. 

Origem da Rota 

Em fins de 1969, os assaltos a estabelecimentos bancários e congêneres cresciam rapidamente, terroristas colocavam toda a segurança pública em constante desassossego. Havia então, a necessidade de criar-se um policiamento enérgico, reforçado e que possuísse mobilidade de ação em todo o Município de São Paulo. A 2ª Companhia de Segurança do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), que então se constituía exclusivamente em tropa de choque, passou a desenvolver o policiamento que a cidade necessitava. Um dos motivos que levou o comandante do Batalhão (tenente-coronel Salvador D’Aquino) a pleitear a execução desse policiamento foi, justamente, o fato de dar à 2ª Companhia de Segurança, que era estática (somente empregada em ações de choque), um efetivo emprego, uma vez que a 1ª Companhia de Segurança, em permanente prontidão, vinha suprindo as necessidades de choque – (Controle de Distúrbios Civis – CDC). Logo, o comandante-geral da Corporação, autorizou o comandante do 1º BPM a iniciar um patrulhamento motorizado ostensivo no centro da cidade de São Paulo. Em 1970, o batalhão recebeu seis viaturas tipo Chevrolet/Veraneio, C-14, modelo luxo e o policiamento da 2ª Companhia de Segurança tomou corpo. A fim de facilitar sua operacionalidade as viaturas foram equipadas com aparelhos de rádio-comunicação do Centro de Operações da Polícia Militar. Mercê de uma doutrina de respeito à população e energia no combate à criminalidade e ao terrorismo, a 2ª Companhia de Segurança teve os seus recursos aumentados gradativamente passando a operar em toda a capital paulista durante as vinte e quatro horas do dia. Em 15 de outubro de 1970, passou a denominar-se Rota – “Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar”. Simultaneamente, foi instalada no 1º BPM a Central Rota de Comunicações, ou seja, uma estação fixa de rádio-comunicação, subordinada operacionalmente ao Copom - Centro de Operações da Polícia Militar, com a finalidade de subsidiar e apoiar as viaturas em serviço. A 2ª Companhia de Segurança, era organizada em 8 (oito) pelotões, subdivididos em equipes compostas de: um sargento(com. da equipe), um cabo ou soldado (motorista), três cabos/soldados (auxiliares). As equipes eram empregadas de acordo com os levantamentos de criminalidade em turnos de serviço de oito horas contínuas, sendo que, cada turno era comandado por um oficial (Rota Comando) que, coordenava e fiscalizava todo o emprego operacional das viaturas. 

Os Boinas Negras 

Sufocado o foco da guerrilha rural no Vale do Ribeira, com a participação ativa do então denominado Primeiro Batalhão Policial Militar “Tobias de Aguiar”, os remanescentes e seguidores, desde 1969, de “Lamarca” e “Mariguela” continuam a implantar o pânico, a intranquilidade e a insegurança na capital e Grande São Paulo. Ataques a quartéis e sentinelas, assassinatos de civis e militares, sequestros, roubos a bancos e ações terroristas. Estava implantado o terror. Mais uma vez dentro da história, o Primeiro Batalhão Policial Militar “Tobias de Aguiar”, sob o comando do ten.-cel. Salvador D’Aquino, é chamado a dar sequência no seu passado heróico, desta vez no combate à guerrilha urbana que atormentava o povo paulista. Havia a necessidade da criação de um policiamento enérgico, reforçado, com mobilidade e eficácia de ação. Incumbe-se à 2ª Cia de Segurança do Primeiro Batalhão Policial Militar, exclusivamente de Tropa de Choque, a iniciar o Patrulhamento Ostensivo Motorizado no Centro de São Paulo. Surge então o embrião da Rota, a Ronda Bancária, que tinha como missão reprimir e coibir os roubos a bancos e outras ações violentas praticadas por criminosos e por grupos terroristas. Em 15 de outubro de 1970, este “embrião” passa a denominar-se “Rondas Ostensiva Tobias de Aguiar” – Rota. É instalada na sede do “Batalhão Tobias de Aguiar” a central de comunicações com a finalidade de apoiar as viaturas em serviço. As viaturas são equipadas com rádio transceptor para maior agilidade nas operações da Polícia Militar com a Base Aguiar ou com as viaturas no policiamento. No dia primeiro de dezembro de 1970, data do aniversário do “Batalhão Tobias de Aguiar”, foi apresentada ao público uma inovação que viria caracterizar ainda mais os Policiais desta Unidade: A Boina Negra, que para todos é um símbolo da grandeza de pertencer à Rota e ,através dela, bem servir à população. Assim surgiu a Rota, um policiamento especializado, criado para atender todo tipo de ocorrência, em especial as que o policiamento comum não tinha condições de fazê-lo; um policiamento com doutrina e características peculiares; uma jornada até nossos dias por entre esta guerra diária nas ruas de São Paulo, em qualquer circunstância ou em qualquer situação, norteada pelo lema de “Dignidade Acima de Tudo”.  

O Policial da Rota 

Para conseguir otimizar seus serviços, a Rota depende do aspecto mais importante dentro de sua estrutura: o homem. Diferenciados pelas boinas negras e pelo braçal com a inscrição “Rota” e o Brasão do Primeiro Batalhão de Choque “Tobias de Aguiar”, estes policiais não sentem em suas fardas um grau de superioridade, mas sim um sentimento de bem servir aos preceitos assimilados e aprendidos desde o início de suas carreiras, obedecendo ao juramento por eles prestados em seu ingresso nas fileiras da Corporação. Com um treinamento constante, uma noção pormenorizada de doutrina em patrulhamento, o que leva à padronização quase total de procedimentos, e um elevado respeito aos ditames de hierarquia e disciplina dentro da Polícia Militar, os homens buscam em seu dia-a-dia o motivo que faz da Rota um símbolo de qualidade e um exemplo a ser seguido: a máxima qualidade no emprego de meios para a defesa da sociedade.  

Herói símbolo 

Alberto Mendes Júnior nasceu aos 24 de janeiro de 1947, nesta capital, era filho de Alberto Mendes e Dona Angelina Plácido Mendes. Desde cedo o garoto Alberto manifestava o seu desejo de ingressar na Corporação, da qual, pela voz de seus tios, só bem ouvia falar, fazendo crescer em tamanho e idade aquele ideal em sua mente. O convívio sadio da família plasmou-lhe o caráter firme e a excelente formação moral. Filho extremoso, só deu aos seus pais alegrias e satisfação. Manteve sempre apego à família, “Célula Mater” de toda uma Nação. Ao terminar o ginásio, pôde realizar o sonho de criança, entrar para a Milícia Paulista. Em 15 de fevereiro de 1965 foi alistado nas fileiras da Corporação, por haver sido aprovado em todos os exames e conseguindo classificar-se no concurso para ingresso no Curso Preparatório de Formação de Oficiais. Quatro anos e dois meses após, concluído o Curso de Formação de Oficiais, e, em 21 de abril de 1969, por estranha coincidência, dia e mês em que Tiradentes foi enforcado, foi declarado aspirante a oficial, possuindo 22 anos de idade. Em 2 de julho de 1969, foi apresentado ao 15º BP, lá classificado por efeito de promoção. Em 15 de novembro de 1969 foi promovido por merecimento intelectual ao posto de 2º tenente, permanecendo naquela Unidade. Em 6 de fevereiro de 1970, foi apresentado a este Batalhão, uma vez ter sido transferido por conveniência do serviço, através de publicação inserta no Boletim Geral nº 25, de 25 de fevereiro de 1970. Logo quando da sua chegada, já se entrosou perfeitamente ao convívio de seus novos companheiros. De espírito jovial e alegre captou desde o começo a amizade de todos aqueles com que teve a oportunidade de privar. Era o alegre “Português”, como era chamado por seus colegas, sempre sorridente, dedicava-se com denodo esforço ao serviço, desempenhando sempre com galhardia as missões que lhe eram confiadas. Em fins de abril de 1970 era descoberto um foco de terroristas no Litoral Sul. Tropas do Exército brasileiro, da Força Aérea, Marinha e Polícia Militar do Estado de São Paulo, deslocaram-se para aquela região. Foi o 1º BP “Tobias de Aguiar” designado pelo Comando Geral da Polícia Militar, para prestar apoio à Tropa da Companhia Independente com sede na cidade de Registro. Para lá seguiu o tenente Mendes no comando de um pelotão, juntamente a outro efetivo comandado por outro oficial, todos sob comando do capitão Carlos de Carvalho. Após uma semana naquela cidade, recebeu o capitão ordens para regressar com um dos pelotões para São Paulo, deixando em Registro apenas um, comandado por um dos oficiais. Não houve escolha, pois o tenente Mendes apresentou-se e solicitou para que permanecesse, demonstrando mais uma vez sua dedicação ao serviço. Na noite de 8 de maio de 1970, aproximadamente às 21:00h, os terroristas atacaram de surpresa um dos postos da Guarda que era feita por homens pertencentes ao pelotão, localizado próximo a Sete Barras. Tomando conhecimento do fato, o oficial dirigiu-se ao local para prestar socorros aos seus comandados, porém, mal sabia que caminhava para uma emboscada que havia sido preparada pelos terroristas. Prendendo oito (08) integrantes do pelotão, eles aguardavam a sua chegada. Emboscado, com inferioridade em homens e armas, estando cercado por todos os lados, foi atirado aquele jovem num dilema: ou cessavam o fogo, ou entregava-se sozinho, ou morreriam todos. Evitando o sacrifício dos seus comandados , falou mais alto o espírito de herói; entregava-se o oficial para salvar a vida de seus comandados, porque era um líder; entregava-se por que era perfeito chefe cônscio de suas responsabilidades. Depois de morto em maio, seu corpo foi apenas encontrado em 9 de setembro do mesmo ano, através de longas buscas levadas a efeito por indicações de um dos terroristas preso. Foi velado na sede do Batalhão “Tobias de Aguiar”, seguindo seu enterro para o Cemitério do Araça, onde calculou-se o acompanhamento de aproximadamente 100 (cem) mil pessoas, entre militares, comerciantes e industriais. 

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