Vivemos uma geração onde a chamada globalização, enquanto um processo de aprofundamento da integração do mundo que, dentre outros aspectos, promove a conexão de fatores relacionados a ordem social, cultural, religiosa, econômica, política etc. e cria desafios que devem e precisam ser equacionados.
A ausência ou diminuição de barreiras, cria uma rápida disseminação de informações que imediatamente ganham o mundo. As dinâmicas sociais e econômicas interagem em culturas diferentes. O planeta está cada vez menor.
No entanto, denota-se que, ao invés do uso da moderação - quando as pessoas entendem seus limites e os limites dos outros procurando respeitá-los - a intolerância, que é fonte dispersiva e está longe de coordenar ou convencer, tem prevalecido gerando conflitos de todas as ordens.
Ora, embora a tolerância não signifique complacência em relação à injustiça, à ilegalidade, imoralidade, e nem mesmo o abandono de cada pessoa por suas convicções, aparentemente, as pessoas têm se esquecido de que a tolerância contribui para uma cultura de paz e, como consequência, é a chave para uma sociedade globalizada de paz.
Infelizmente, esse contexto também se aplica às questões de ordem religiosa, o que tem causado incertezas e sofrimento à humanidade como um todo. É visível um disfarçado, mas crescente movimento, instigado por interesses que nem sempre são absolutamente claros, que tem gerado turbulências e o uso de violência por invocação religiosa. Em nome de Deus, que é de paz e misericórdia, portanto de amor, guerras são declaradas e, com isso, sofrimento e flagelos são disseminados pelo planeta.
Isso também exige o exercício da tolerância para que, com a mesma abnegação de um médico que não mede esforços para tratar seus pacientes, haja um esforço para o entendimento numa perspectiva que deve ultrapassar a visão egoísta do “eu”, inclusive para que não ocorra a fragilização dos fatores de reconciliação e coesão, que se apresentam como condições essenciais para uma coexistência harmoniosa.
Respeitados e compreendidos os conceitos cultural, histórico e religioso dos povos, será possível o diálogo entre as civilizações, evitando-se, assim, a violência fundada em fanatismo religioso.
Enfim, sob qualquer aspecto e situação, a ideia de globalização, mesmo lidando com realidades frágeis e instáveis, deve favorecer a compreensão, o senso colaborativo, o desenvolvimento e a paz entre os povos.
Como disse Chico Xavier, em sua missão de paz: “Uma mágoa não é motivo para outra mágoa. Uma lágrima não é motivo para outra lágrima. Uma dor não é motivo para outra dor. Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche. O resto, mais que perda de tempo... é perda de vida”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca