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Domingo, 28 de Junho 2026
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Fortuna incinerada

Colunista *José Renato Nalini

Fortuna incinerada
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2025 marca os dez anos do Acordo de Paris, os dez anos da Encíclica “Laudato Si” do Papa ecológico, Francisco Bergoglio, mais a COP30 na Amazônia. Só que o Brasil não tem muita coisa bonita para mostrar. A devastação da floresta, que gera o efeito estufa, em lugar de arrefecer ou de cessar, só aumentou.

            O círculo vicioso de temperaturas elevadas, estiagens oriundas da mudança climática aumentam a destruição. A plataforma Global Forest Watch – GFW, divulgou que em 2024 o planeta perdeu mais de trinta milhões de hectares de cobertura arbórea, cinco por cento a mais do que em 2023. Os incêndios emitiram 4,3 gigatoneladas de gases do efeito estufa, quatro vezes mais do que as viagens aéreas em 2024. O Brasil registrou uma alta de 154% de incêndios em 2024. Com os quase três milhões de hectares, o Brasil possui quase metade da área total destruída nas regiões tropicais do planeta, comparando-se 2024 com 2023, em que a destruição foi de pouco mais de um milhão de hectares.

            É ridículo afirmar-se que o desmatamento ilegal poderá cessar em 2030. Essa leniência estatal, essa inércia e esse conformismo estão acabando com o maior patrimônio brasileiro, que é sua cobertura vegetal. Isso significa a fabricação muito célere de um novo deserto: o deserto amazônico. Em lugar de sequestrar carbono, a redução da umidade do solo causará o estresse que abreviará essa temível e terrível tragédia.

            Mais de um terço da chuva que cai sobre a Amazônia é produzida pela própria floresta. Ela resulta da evapotranspiração, o fenômeno pelo qual moléculas de água liberadas pelas folhas, voltam para a atmosfera. Estamos condenando à morte essa imensa caixa d’água, essa monumental bomba hidráulica do clima planetário.

            O cataclismo que Marcelo Leite enxerga como chegando em câmera lenta (“Amazônia sobreviveria à crise do clima?”) parece ganhar velocidade, como na lei da física: uniformemente acelerada.

            E assim destruímos nosso patrimônio, mesmo sem antes de conhecê-lo integralmente e de recuperar nossa economia capenga, servindo-nos daquilo que nos foi ofertado gratuitamente. E, talvez por isso, tão desprezado pelo ingrato bicho-homem que aqui aportou.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.    

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