Rememorar os heróis e a luta daqueles meses de julho a outubro de 1932 é manter viva a chama de nossa história.
Um evento, promovido pela Sociedade Veteranos de 32 - MMDC, comemorou
no dia 2 de outubro, no Obelisco do Ibirapuera, os 92 anos do fim da Revolução Constitucionalista de 1932. Naquele ano era assinado o acordo de Cessação das Hostilidades entre os revolucionários paulistas e o Governo Federal de Getúlio Vargas.
Para o jornalista José Jantália, “hoje estamos comemorando uma data muito importante, os 92 anos do fim da Revolução Constitucionalista, a epopeia de 32. São 3 datas que destacamos no M.M.D.C. A primeira, é o dia 23 de maio quando aconteceu a morte de Martins, Miragaia, Drauzio e Camargo, e o ferimento, e depois falecimento, de Orlando Alvarenga. O segundo, 9 de julho, que foi a verdadeira deflagração do conflito e depois o 2 de outubro que foi o encerramento das hostilidades. Parabéns a Sociedade Veteranos de 32 - M.M.D.C por realizar mais essa solenidade, coroada de êxito e com a presença de pessoas e personalidades que amam São Paulo e amam o Brasil”
Já para Luiz Fernando Marcondes, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Veteranos de 32 – M.M.D.C, “estamos reunidos aqui no Obelisco do Ibirapuera, um evento maravilhoso com pessoas ilustres e personalidades de todo o Estado de São Paulo. Estou muito feliz e honrado. Desejo vida longa à Sociedade Veteranos de 32 - M.M.D.C”.
Para o coronel Flávio Marcelo Lima dos Santos, subcomandante do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e Colégio Militar de São Paulo (CPOR/CMSP),
“hoje, com muita honra, fui agraciado com a Medalha Governador Pedro de Toledo. Estou muito feliz com essa honraria e desejo vida longa à Sociedade Veteranos de 32 - M.M.D.C. Que a entidade continue reverenciando essa linda história que foi a Revolução Constitucionalista de 1932”.
De acordo com Janaína Sposito, diretora de cerimonial da Sociedade Veteranos de 32 - M.M.D.C, “neste 2 de outubro, estamos comemorando o Dia da Cessação das Hostilidades da Revolução Constitucionalista de 32, uma data muito simbólica para a cidade e o estado de São Paulo e para o Brasil. Foi nesta data que nós conseguimos regularizar o Estado Democrático de Direito que vivemos até hoje”.
Segundo Carlos Romagnoli, presidente da Sociedade Veteranos de 32 – M.M.D.C,
“estamos aqui hoje comemorando o Dia da Cessação das Hostilidades da Revolução Constitucionalista de 32, um momento pelo qual as tropas federais e
constitucionalistas entenderam por dar fim a guerra. Uma guerra que colocava em confronto irmãos imbuídos com os mesmos ideais. São Paulo sempre lutou pela legalidade e pela democracia”.
Revolução Constitucionalista de 1932
A sociedade era naquela época vítima do governo ditatorial de Getulio Vargas que, arbitrariamente fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, suspendendo os direitos constitucionais de todos os brasileiros. As consequências deste despautério foram imediatamente notadas pelos paulistas, principalmente, pela estagnação econômica e pela repressão à população e a imprensa.
Apesar destes mandos e desmandos o povo bandeirante não se calou, saiu às ruas para bradar pelo retorno de seus direitos civis. Desejava-se um país democrático! Um país de cidadãos livres.
As manifestações contra o governo ditatorial cresciam cada vez mais, as ruas do centro de São Paulo estavam tomadas pelo povo exigindo “Constituição Já!”.
Getulio Vargas, preocupado com a possibilidade de uma revolta passou a reprimir a população e aos 23 de maio daquele ano, 1932, tombaram 4 jovens, seus nomes: Martins, Miragaia, Drauzio e Camargo. Suas iniciais até hoje são cultuadas na sigla M.M.D.C que à época designava um movimento de oposição ao domínio de Vargas.
Face à repressão, se viram aqueles heróis instados a se engajar numa luta armada que fora deflagrada aos 9 de julho daquele ano. Homens e mulheres das mais diferentes raças, condições sociais, nacionalidades e crenças se alistaram como voluntários para a luta.
A ajuda dos demais Estados infelizmente não veio. São Paulo se viu sozinho em sua luta, mas, em nenhum momento perdera seu brio ou mudara a trajetória da Revolução, continuava lutando pela democracia.
Mesmo com toda a população engajada na luta, São Paulo, isolado, não resistiu às forças militares getulistas e em 2 de outubro de 1932, o Comando da Revolução Constitucionalista assinou com o Governo Federal a Cessação das Hostilidades.
São Paulo perdeu a luta em armas, mas, triunfou em seu objetivo, pois, no acordo firmado, restou consignado que o governo federal convocaria uma Assembleia Constituinte e, em 1934, era promulgada a Constituição pela qual São Paulo lutou ardorosamente.