Os casos de feminicídio que marcaram esta semana não são episódios isolados, exceções ou fatalidades imprevisíveis. São parte de um padrão conhecido, documentado e recorrente. Quando uma mulher é assassinada por um companheiro ou ex-companheiro, o que vemos é a etapa final de uma sequência de falhas do sistema, não um drama individual.
O feminicídio no Brasil segue praticamente o mesmo roteiro: controle, ciúme, isolamento da vítima, violência psicológica, ameaça, agressão física e, por fim, o assassinato - ou tentativa. Esse ciclo é tão previsível que especialistas conseguem mapear cada fase. Ainda assim, o poder público insiste em agir apenas quando a violência chega ao extremo.
A pergunta que deveríamos fazer não é “por que ela não denunciou?”, mas sim: quantas vezes ela tentou denunciar e não foi ouvida?
Grande parte das mulheres que morrem já havia procurado ajuda. Muitas registraram boletins de ocorrência, pediram medida protetiva e foram orientadas a “tentar conversar”, “evitar brigas”, “esperar mais um pouco”. A resposta institucional é lenta, fragmentada e, muitas vezes, negligente.
Além disso, a rede de proteção é insuficiente. Falta equipe para monitorar agressores, faltam abrigos emergenciais, falta capacitação em delegacias, faltam psicólogas e assistentes sociais para atendimento imediato. Falta, acima de tudo, prioridade política. Quando o orçamento é cortado justamente da área de enfrentamento à violência, o recado é claro: a vida das mulheres não está entre as prioridades.
Outro ponto ignorado é que combater o feminicídio exige políticas de longo prazo. Não basta punir o agressor depois do crime. É preciso prevenir: educação socioemocional nas escolas, campanhas permanentes de conscientização, formação de profissionais de segurança e justiça, ampliação da Patrulha Maria da Penha, integração de dados entre órgãos.
Enquanto isso não acontece, seguimos perdendo vidas que poderiam ter sido salvas.
O feminicídio é um indicador da saúde democrática de um país. Um país que não garante a vida das mulheres não pode se considerar moderno, seguro ou civilizado. E não adianta discursos indignados a cada caso que ganha repercussão, é preciso investimento contínuo, políticas estruturadas e seriedade no enfrentamento.
Sou Aline Teixeira, e defendo que a luta contra o feminicídio precisa sair do campo da comoção momentânea e entrar definitivamente no campo das decisões políticas. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
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