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Domingo, 28 de Junho 2026
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Fé e Ciência

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Fé e Ciência
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Desde os primórdios da humanidade há uma consciência inata em relação à fé. É como que se um germe em estado latente tivesse sido depositado em cada indivíduo para depois eclodir e crescer por vontade própria.  

Com o passar dos séculos os filósofos têm refletido sobre o conceito de Deus, intrínseco à fé, sob várias perspectivas e influenciados por contextos culturais e intelectuais. Platão, por exemplo, concebia Deus como “o artífice do mundo” e Aristóteles o definia como “o primeiro motor”, ... “o real puro, aquilo que se move sem ser movido”. Concomitantemente, foram sendo criadas as religiões que, além de valores morais estabelecem, em síntese, símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade.  

Com a passar do tempo, com o avanço da ciência e da própria intelectualidade do ser humano pesquisas acadêmicas têm investigado a relação fé e razão, buscando compreender, por exemplo, o quanto a espiritualidade - e não necessariamente a religiosidade - do paciente auxilia na cura de doenças físicas e psíquicas, que podem ser agravadas a partir de sentimentos ruins e pensamentos destrutivos e, também, as bases genéticas da mediunidade. 

Os cientistas, em suas pesquisas, salientam que espiritualidade é diferente de religião sendo que, em tese, uma pessoa religiosa é espiritualizada; mas alguém espiritualizado não necessariamente segue uma religião - e pode até não acreditar em Deus. A espiritualidade se expressa por meio de crenças, valores, tradições e práticas, bem como estaria ligada à busca pessoal de um propósito de vida e de uma transcendência, envolvendo também as relações com a família, a sociedade e o ambiente, sendo um estado mental e emocional que norteia atitudes, pensamentos, ações e reações nas circunstâncias da vida de relacionamento e passível de observação e mensuração científica. 

Essas constatações científicas demonstram que ciência e fé não são conceitos excludentes, mas que, ao contrário, estão interligados e se complementam. De fato, a união da razão à crença, independentemente da religião que se professe, rompe com o antigo tabu da fé contemplativa, que muitas vezes leva ao imobilismo e até mesmo ao fanatismo, criando uma fé dinâmica que é edificada vagarosa e conscientemente na medida em que se dá a evolução de cada indivíduo.   

Mas, essa conjunção - fé e ciência - impõe um natural repensar na forma individual e coletiva de expressão da espiritualidade e, também, a busca por respostas para aquilo em se crê produzindo, como resultado, uma base sólida em termos de lógica, bom senso e comprovação, bem como confirma o pensamento que diz que “fé inabalável é somente aquela que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade.”  

Santo Agostinho, o primeiro grande filósofo cristão, já exortou: “Crê para compreender; compreender para crer”, demonstrando que não há contradição entre a fé e a ciência pelo simples fato de que ambas têm origem em Deus e é Deus quem dá ao ser humano a luz da razão e da fé. 

Assim, se, de um lado, a maioria da humanidade declara sua crença em Deus e, de outro lado, a ciência transcende as reflexões filosóficas para buscar respostas concretas sobre questões que envolvem a matéria e espiritualidade, é momento de a humanidade superar as diferenças criadas pelas religiões e refletir que todos somos oriundos da mesma força motriz criadora do universo, de modo que devemos nos unir em prol da construção um mundo mais justo, simplesmente porque essa força representa Justiça e, sobretudo, Amor.  

A compreensão disso criará um sentimento que transformará os corações em templos eternos, inclusive porque, como disse o Dalai Lama “a melhor religião é aquela que te faz melhor, porque te faz mais compassivo, mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável”. 

Enfim, se a fé é a certeza sem prova e a ciência a probabilidade da certeza e , como disse Albert Einstein: “Ciência sem religião é manca, religião sem ciência é cega”, talvez já seja tempo da humanidade superar as suas diferenças e, refletindo que todos somos filhos da mesma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, se unir em prol da construção um mundo mais justo e perfeito. 

Paulo Eduardo de Barros Fonseca 

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