Heráclito, filósofo grego que viveu entre 535 e 475 aC, tido como o pai da dialética - que além de ser uma maneira de filosofar pode ser conceituada como o debate de ideias diferentes - disse que “a única coisa permanente no universo é a mudança”.
Refletindo sobre esse pensamento e os acontecimentos do nosso cotidiano percebo sua pertinência. Certa vez escrevi que durante nossa vida material nascemos e morremos muitas vezes. Isso é de fácil constatação quando analisamos as várias fases da vida de uma pessoa - infância, juventude, maturidade e velhice – que, com características próprias que contribuem para uma inevitável progressão.
Tudo ocorre ao seu tempo, mas, a cada renascimento, com mais bagagem e amadurecimento, temos a oportunidade de abandonarmos os hábitos antigos e procurarmos novos caminhos. Alegoricamente, cada ciclo é o momento de esvaziarmos a mochila onde depositamos tudo que amealhamos durante nossa existência, abandonando aquilo que não tem relevância, para continuarmos carregando somente aquilo que for imprescindível para o cumprimento da etapa que se inicia.
Mais ainda, a experiência e vivência acumuladas na jornada já superada, ainda que haja alguma insegurança ante o desconhecido, ajudam no enfrentamento e superação dos novos desafios que virão.
É plausível afirmar que a cada etapa de nossa existência somos seres mais preparados porque já cumprimos etapas do nosso progresso material e espiritual, o qual também é ininterrupto.
O ensinamento bíblico de que “a cada um será dado segundo suas obras” indica-nos, como disse Antoine Lavoisier, que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e que os novos desafios devem ser vistos como a possibilidade de descobrirmos o melhor da natureza humana.
É de se ter claro que, embora muitas vezes nos coloquemos na chamada zona de conforto até que determinado fato transforme nossa rotina impelindo-nos a modificar nossas ações e posturas, na vida nada, absolutamente nada, é estático.
Assim, que cada nova fase existencial, com seus novos desafios, as mudanças no cotidiano, a superação dos medos e das expectativas, sejam oportunidades de continuarmos na trajetória do progresso individual e de buscarmos o ponto mais elevado na escala da nossa existência para que amadurecidos nos tornemos seres mais justos e perfeitos.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca