A Lima Contabilidade, em parceria com o jornal Semanário da Zona Norte, promoveu uma palestra que reuniu empresários, gestores e profissionais de diversas áreas para discutir um tema que vem despertando dúvidas e preocupações no meio corporativo: a Reforma Tributária e seus impactos a partir de 2026. O evento, conduzido pelo CEO da Lima Contabilidade e vice-presidente da Fenacon, Reynaldo Lima Jr., buscou esclarecer pontos fundamentais da mudança e orientar o empresariado sobre como se preparar para o novo cenário fiscal que o país enfrentará nos próximos anos.
“Nosso objetivo é posicionar os empresários sobre o impacto da reforma tributária e o que vai mudar. As alterações serão profundas e vão atingir todos os setores, mas principalmente os pequenos empresários, que precisarão revisar seus custos e processos de compra”, destacou Reynaldo logo no início de sua fala.
O especialista alertou que, embora a transição seja gradual, o impacto será sentido de forma intensa. “O setor de serviços, por exemplo, será bastante impactado. Muitos empresários ainda estão distantes dessa discussão e, por isso, é fundamental se aproximar, buscar apoio e informação. A mudança já é uma realidade, e as empresas precisam estar preparadas para ela”, reforçou.
Mudança estrutural e o desafio da adaptação
Segundo Lima, a partir de janeiro de 2026, todas as emissões de notas fiscais deverão destacar o novo imposto, ainda que sem cobrança imediata. “Quem não estiver com o sistema adequado, simplesmente não vai conseguir emitir nota. Isso mostra o quanto o governo está adiantado nesse processo. As empresas precisam correr atrás, porque a fiscalização será muito mais simples e rápida, totalmente integrada ao sistema eletrônico da Receita Federal”, explicou.
Durante a palestra, o público teve a oportunidade de tirar dúvidas e debater o tema. Entre os participantes estava o executivo de relacionamento da Omie, Wagner Xavier, que abordou como a tecnologia deve ser aliada das empresas nessa nova fase. “A Reforma Tributária é uma mudança conceitual. Ela altera não só a arrecadação, mas toda a dinâmica da economia, desde o processo de compra e venda até o creditamento. Por isso, é essencial que as empresas invistam em sistemas de gestão integrados”, pontuou.
Para ele, a modernização é inevitável, e quem não se adaptar, ficará para trás. “Hoje é possível ter um RP completo, na nuvem, com custo acessível, sem precisar de servidores caros. Isso organiza os processos e dá clareza de informação. A reforma é moderna, mais justa e tecnológica. Ela traz riscos, sim, mas também muitas oportunidades. É uma chance de o Brasil se reindustrializar e corrigir distorções históricas da arrecadação”, avaliou Wagner.
No público, empresários e profissionais de diferentes segmentos demonstraram interesse e também certa apreensão. O médico Marcos Lopes, por exemplo, foi ao evento em busca de respostas mais amplas. “Eu não sou contador, mas sei que essa mudança vai afetar todos nós. O que eu espero é que, se a arrecadação aumentar, isso se reverta em benefícios concretos, em segurança, educação, saneamento. O Brasil precisa investir no básico. Se essa reforma servir para melhorar a vida do cidadão, então será válida”, refletiu.
Outro participante, José Donizete Valentina, sócio da Lima Contabilidade, destacou que a transformação em curso é muito mais profunda do que muitos imaginam. “Vivemos uma ilusão de que todos estão informados, mas a verdade é que nunca estivemos tão desinformados. A reforma é uma mudança cultural, econômica e comportamental. Não é só uma troca de sistema contábil, é uma reestruturação completa da relação entre empresas, governo e sociedade”, afirmou.
Donizete lembrou ainda que o impacto será inevitável. “Aqueles que se prepararem com antecedência terão um diferencial competitivo. É um caminho sem volta. Precisamos simplificar, sim, mas também compreender que o Brasil tem uma das estruturas tributárias mais complexas do mundo. O desafio agora é manter a geração de riqueza, empregos e prosperidade mesmo diante das mudanças”, completou.
Já o diretor financeiro da Pneus Albuquerque, Cristiano de Albuquerque, ressaltou a importância de eventos como esse para ampliar a consciência empresarial. “Para quem está fora desse ambiente, é difícil entender a dimensão das mudanças. Existem muitos pontos que ainda não estão claros, e isso vai impactar diretamente as empresas. Agora é hora de nos estruturarmos e entender como será essa transição, para não sermos pegos de surpresa”, afirmou.
Na mesma linha, o diretor da Cesmi, Diego Andrada, destacou que, para o empresário brasileiro, planejamento é a palavra-chave. “Temos uma empresa com 40 anos de história, e sempre buscamos estar à frente das mudanças. A reforma é necessária, mesmo que não seja a ideal. O importante é acreditar no país e seguir em frente. O empresário precisa confiar e se adaptar, porque o Brasil só anda quando acreditamos nele”, disse.
Para Reynaldo Lima Jr., o recado final é claro: a mudança já começou, e é irreversível. “A reforma foi aprovada, é uma emenda constitucional. Não há mais espaço para dúvidas. O cronograma está em andamento, e as empresas precisam acompanhar. Não se trata de esperar que algo mude, mas de agir. Buscar apoio do contador, seguir as orientações corretas e se preparar é o que vai fazer a diferença entre quem sobrevive e quem fica pelo caminho”, concluiu.
A sensação entre os presentes foi de alerta, mas também de aprendizado e oportunidade. “Quem participou sai mais preparado, e, talvez, um pouco assustado”, brincou Reynaldo, arrancando risadas do público. Entre orientações e reflexões, o evento mostrou que, mais do que entender números e impostos, compreender a Reforma Tributária é entender o futuro das empresas e do país. Mais do que uma palestra técnica, o encontro foi um lembrete de que o conhecimento compartilhado ainda é o melhor investimento para qualquer empresa, e que a união entre informação e estratégia será a chave para atravessar, com segurança, o novo cenário tributário que o Brasil viverá nos próximos anos.
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