Não há educação de qualidade sem professores valorizados, e não há valorização verdadeira enquanto existirem professores de primeira e de segunda dentro da mesma rede.
Falar de educação é falar de transformação social. É reconhecer que, por trás de cada conquista acadêmica, existe um professor. É ele quem desperta o interesse, forma o pensamento crítico, e muitas vezes é o primeiro a enxergar o potencial de uma criança. E, no entanto, é também esse profissional que, em tantos lugares, segue sendo invisibilizado, mal remunerado e desrespeitado.
Em várias cidades de São Paulo, essa realidade fica evidente na diferença entre a rede direta e a rede conveniada. Enquanto as escolas municipais e estaduais contam com professores concursados, com direitos e estabilidade, a rede conveniada — formada por instituições particulares com contratos com o poder público — sobrevive de desigualdade. Nela, educadores exercem a mesma função pedagógica, cumprem as mesmas metas e responsabilidades, mas recebem salários menores, têm menos benefícios e vivem com menos segurança profissional.
Essa disparidade chega, em alguns municípios, a quase 50% na remuneração média entre os dois grupos. O resultado é um abismo dentro do próprio sistema educacional. Não apenas um abismo financeiro, mas simbólico: o recado implícito de que há professores que valem mais do que outros.
E como falar em educação de qualidade quando quem ensina precisa lidar com desvalorização, sobrecarga e insegurança? O impacto dessa desigualdade vai muito além das folhas de pagamento. Ele atinge o coração da escola, ou seja, a relação entre professor e aluno. Um educador desmotivado, esgotado e sem reconhecimento é um profissional ferido, e isso inevitavelmente reflete no aprendizado das crianças.
A situação é ainda mais grave quando lembramos que muitos desses professores atuam na primeira infância, etapa essencial do desenvolvimento humano. É ali, nas salas coloridas das creches e dos primeiros anos escolares, que se formam os vínculos afetivos, a base da linguagem, o gosto por aprender. Desvalorizar esses profissionais é comprometer o futuro de toda uma geração.
Valorizar o professor é valorizar o país. E isso não se faz apenas com homenagens em datas comemorativas, mas com políticas públicas consistentes, diálogo transparente e compromisso com a equidade. A educação precisa ser igual para todos, tanto para quem aprende quanto para quem ensina.
É urgente a necessidade de rever contratos, fiscalizar convênios, garantir igualdade de direitos trabalhistas e ampliar o acesso à formação continuada. Porque o que está em jogo não é apenas o salário de uma categoria, mas o futuro da educação pública.
Educar é um ato de coragem. Enfrentar à desigualdade, à indiferença e o descaso. Cada professor que segue acreditando na transformação pelo ensino, mesmo diante de tantas dificuldades, é um símbolo de coragem. E é essa coragem que precisa ser reconhecida e multiplicada.
Meu nome é Catarina Teixeira, pedagoga e estudante de direito, e se você também acredita que valorizar o professor é o primeiro passo para mudar o país, me acompanhe nas redes sociais: @catarinateixeira.oficial.
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