A humanidade, a toda evidência, passa por momentos de transformações e convive com paradoxos que afetam e desestabilizam as pessoas.
Estudos indicam os fatores que dominam o panorama de riscos e que criam crescente tensões geopolíticas, tais como as incertezas sociológicas, econômicas, ambientais, e, evidentemente, as inúmeras guerras, que colocam o planeta e, por consequência, a humanidade, em estado de atenção.
Muito embora o ser humano seja um ser gregário a sociedade moderna vive em pequenos nichos, em grupos de interesse. Decorrência disso é que cada fração social busca seu espaço ao ponto de, como há alguns anos salientou o sociólogo francês Allan Torraine em uma palestra proferida na cidade de São Paulo, os movimentos criarem ações conflitantes de classes sociais, dividindo interesses e dificultando que questões de interesse comuns a toda sociedade sejam solucionadas.
O corpo social se segmentou de tal modo que os valores individuais e coletivos que o orientaram e são fundamentais para a estabilidade da sociedade, os quais foram edificados ao longo de séculos, estão em xeque e isso abala os alicerces que envolvem cada pessoa e, como consequência, o seu meio.
Essa situação, além de afetar o contrato social estabelecido resulta na (des)construção da sociedade como um todo, atinge as individualidades no seu íntimo e gera paradoxos que desafiam e afetam a opinião consabida, que criam contradições e incertezas ao desestabilizarem emocionalmente o ser humano.
Sob todos os aspectos, a humanidade vive uma poli crise planetária que gera enormes contrastes e insegurança.
A ética e a moral são desafiadas. Esse desafio repercute diretamente na responsabilidade, que é individual, nas ações e por fim atingem todo o coletivo. Não se pode esquecer que a ética vai além do simples cumprimento de normas; ela nos instiga a cultivar as virtudes e nos convida à autoanálise, ao autoconhecimento e à necessária transformação interior.
Sob o aspecto humanístico e, porque não dizer, espiritual, o ser humano, que é um ser social, deve refletir sobre sua postura ética individual como conviver em sociedade e, nesse processo reflexivo, considerar que o conjunto de valores e regras de comportamento surgiram das relações consensualizadas entre os homens com o objetivo de construir a própria sociedade.
Com efeito, independentemente das individualidades e das suas peculiaridades, todos devem colaborar para tornar a convivência humana possível e mais agradável, sobretudo porque a sociabilidade obedece a um imperativo da lei do progresso que rege a humanidade da qual o homem não se pode esquivar sem prejudicar-se, porquanto é por meio do relacionamento com os seus semelhantes que ele desenvolve as suas potencialidades.
Creio que o desafio do momento seja o pensar e repensar o presente, mas, vislumbrando o futuro da humanidade à medida que somos os responsáveis pela
formação da geração que virá e irá transformar o planeta em um mundo de regeneração, sem tanto sofrimento e mais compassivo, ou seja, com mais compaixão.
Isso implica em tratarmos os outros com o mesmo cuidado e respeito que temos por nós mesmo, ou seja, como gostaríamos de ser tratados, dando vida ao ensinamento cristão no sentido de que devemos “amar o próximo como a si mesmo”.
Enfim, sob qualquer aspecto que se analise a postura que todo ser humano deve adotar, é certo que viver em um mundo de paz e harmonia depende única e tão somente da ação de cada um de nós!
Façamos a nossa parte!
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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