Não é uma simples troca. A substituição do titular da Secretaria de Segurança possui profundos significados, operacionais e políticos, abrange o ano de 2026 e embute uma nada silenciosa disputa sobre quem, no próximo ano, vai assumir o comando para enfrentar a principal preocupação dos brasileiros.
Lula quer a primazia: mandou para o Congresso um projeto, que teve vencedor parecer em contrário do relator Derrite, que se licenciou para reassumir a função de deputado federal. Em São Paulo, a escolha de Tarcisio Freitas teve o mérito de conciliar no cargo um secretário, que foi da Polícia Militar, e um destacado delegado da Polícia Civil.
São fatos visíveis. Existem, porém, os que são encobertos por uma penumbra, dizendo aquilo que muitos não querem que seja dito. Primeiro, mandar na Polícia é uma delícia, um prazer erotizado por falsos “especialistas”, professores que nada têm a ver com o assunto, pesquisadores que se consideram analistas de temas técnicos e ideólogos intoxicados como detentores exclusivos das virtudes. Segundo, são bem claras as intenções do Governo Federal, criando uma até aqui inexistente “Guarda Nacional”, em casos de ser decretada a lei de garantia e ordem (LGO), excluindo as Forças Armadas desse papel constitucional. Forças, por sinal, hostilizadas a todo tempo, tratadas como inimigas. Terceiro, ostensivo contraponto diante do que acontece nas ruas (o temor dos brasileiros) e a realidade factual: o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está comprando 320 carros blindados, para transporte de Suas Excelências, na mesma cidade onde o tráfico impõe selvagente domínios criminosos de território. Assim, os togados estão dizendo: a casta aristocrática pode usufruir de benefícios inacessíveis aos cidadãos comuns, embora estejam no mesmo lugar. São bem desiguais.
São Paulo: Derrite, ex-capitão PM, fez questão de se despedir no pátio do quartel do 1º Batalhão de Choque, sede da Rota, que os ideólogos chamam irresponsavelmente de “tropa letal”, mas ao mesmo tempo “tropa de elite”. Não é o caso: a temível letalidade é praticada, isto sim, pelo mundo do crime; elite, ela é mesmo: vai onde muitos nem querem saber.
Nico, Osvaldo Gonçalves, é do ramo, sabe o que faz, é linha de frente, chefiou um exemplar Garra, criou o Departamento de Operações Estratégicas e dá recados sem usar palavras complacentes para os que fazem opção pelo mal.
* Jornalista e escritor
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