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Segunda-feira, 16 de Fevereiro 2026

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Cuida de ti

Das coisas mais difíceis para qualquer pessoa é a quebra de paradigmas

Cuida de ti
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Das coisas mais difíceis para qualquer pessoa é a quebra de paradigmas, sobretudo, os existenciais. Desde Sócrates, reconhecido como o pai da filosofia, juntamente com Platão considerados como percursores da ideia cristã, a filosofia já alertava que era preciso conhecer-se a si mesmo na busca da reforma íntima. Irremediavelmente, o conhecimento de si mesmo é a chave para o melhoramento individual.

É certo que a doutrina do Cristo é muito mais completa e depurada que a de Sócrates, o qual, aliás, como Jesus, não deixou nenhum escrito e nós o conhecemos pelos escritos de seu discípulo Platão. Mas, compreender e praticar a sabedoria dessa máxima implica na mudança comportamental consigo mesmo e em relação a outras pessoas, ou seja, passamos a cuidar de nós mesmos e modificamos nossa relação com os outros e com o mundo.

O Evangelho Segundo o Espiritismo está repleto de lições que nos remetem à reflexão, tal qual aquela que diz; “O homem de bem interroga a consciência sobre todo o bem que fez e todo aquele que deixou de fazer” (cap. 17; item 3).

Aliás, esse assunto também é abordado na questão no 929-a do Livro dos Espíritos, conforme segue: “P.: Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima, mas a dificuldade está precisamente em se conhecer a si próprio. Qual o meio de chegar a isso? R.: — Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: no fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e ver o que em mim necessitava de reforma. Aquele que todas as noites lembrasse todas as suas ações do dia, e, se perguntasse o que fez de bem ou de mal, pedindo a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, porque, acreditai-me, Deus o assistirá. Formulai, portanto, as vossas perguntas, indagai o que fizestes e com que fito agistes em determinada circunstância, se fizestes alguma coisa que censuraríeis nos outros, se praticastes uma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda isto: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, ao entrar no mundo dos Espíritos, onde nada é oculto, teria eu de temer o olhar de alguém? Examinai o que pudésseis ter feito contra Deus, depois contra o próximo e por fim contra vós mesmos. As respostas serão motivo de repouso para vossa consciência ou indicarão um mal que deve ser curado.

O conhecimento de si mesmo é portanto a chave do melhoramento individual. Mas, direis, como julgar a si mesmo? Não se terá a ilusão do amor-próprio, que atenua as faltas e as torna desculpáveis? O avaro se julga simplesmente econômico e previdente, o orgulhoso se considera tão somente cheio de dignidade. Tudo isso é muito certo, mas tendes um meio de controle que não vos pode enganar. Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça. Procurai também saber o que pensam os outros e não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque eles não têm nenhum interesse em disfarçar a verdade e geralmente Deus os colocou ao vosso lado como um espelho, para vos advertirem com mais franqueza do que o faria um amigo. Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas do seu jardim; que faça o balanço da sua jornada moral como o negociante o faz dos seus lucros e perdas, e eu vos asseguro que o primeiro será mais proveitoso que o outro. Se ele puder dizer que a sua jornada foi boa, pode dormir em paz e esperar sem temor o despertar na outra vida.

Formulai, portanto, perguntas claras e precisas e não temais multiplicá-las: pode-se muito bem consagrar alguns minutos à conquista da felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias para ajuntar o que vos dê repouso na velhice? Esse repouso não é o objeto de todos os vossos desejos, o alvo que vos permite sofrer as fadigas e as privações passageiras? Pois bem: o que é esse repouso de alguns dias, perturbado pelas enfermidades do corpo, ao lado daquilo que aguarda o homem de bem? Isto não vale a pena de alguns esforços? Sei que muitos dizem que o presente é positivo e o futuro incerto. Ora, aí está, precisamente, o pensamento que fomos encarregados de destruir em vossas mentes, pois desejamos fazer-vos compreender esse futuro de maneira a que nenhuma dúvida possa restar em vossa alma. Foi por isso que chamamos primeiro a vossa atenção para os fenômenos da Natureza que vos tocam os sentidos e depois vos demos instruções que cada um de vós tem o dever de difundir. Foi com esse propósito que ditamos.”.

A reflexão sobre essa questão certamente ensejará que possamos absorver os ensinamentos do Cristo. Portanto, cuida de ti; conhece-te a ti mesmo; vive melhor consigo mesmo e, por consequência, com seu semelhante.

Essa será sua grande fortuna na matéria e, sobretudo, na espiritualidade.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca - *Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International

 

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