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Domingo, 28 de Junho 2026
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Confessar os erros

Colunista *Percival de Souza

Confessar os erros
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As confissões, obra magnífica de Santo Agostinho, são reflexões sobre a vida e a busca da verdade.  A procura amorosa da verdade. O confessionário religioso é um sacramento, pelo qual o penitente conta baixinho para o confessor as transgressões praticadas.

Os segredos de confissão são mantidos em sigilo absoluto, do mesmo modo que os apedeutas ocultam as revelações feitas pelo mais profundo da alma. Esse aspecto profundamente ético entra também na vida profissional, incluindo o obrigatório juramento de Hipócrates pelos formados em medicina. Confessar no mundo penal é admitir a autoria de crime, embora a lei faculte o direito de não fazer isso para não agir contra si próprio. É a razão fundamental para que a confissão seja acompanhada de provas. O cenário é curioso:  na vida real, a figura do delator é execrada como pelas classificações de “dedo duro” e alcaguete (vulgarmente chamado de “cagueta”). No mais objetivo dos sentidos, seria um “X 9”, informante da Polícia, que em São Paulo chegou a fornecer a ele uma carteira de identificação como “agente reservado”. Entretanto, a própria legislação prevê a chamada “delação premiada”, troca por privilégios da sentença judicial. No mundo do crime, o delator quase sempre é punido com a pena de morte. Já teve cadeado preso aos lábios.

De uma forma ou outra, esse tipo personagem é fundamental para a segurança pública. A Polícia, sem bola de cristal, precisa de informantes em todas as áreas para desvendar crimes, o que não depende apenas de depoimentos de testemunhas. Muitas das investigações são repletas de segredos, nunca partilhados. A chamada “inteligência” abrange todos esses fatores, embora falsos “especialistas” insistam erradamente em dizer que existiria um poder mágico para captar qualquer informação relevante e assim evitar que um crime seja praticado. É a análise de dados, planejamento, infiltração, previsões ostensivas ou preventivas – coisas quem os falsos “especialistas” ignoram por completo, embora adorem falar sobre o que de nada entendem.

Essa coletânea de detalhes, transformar “informe” em “informação”, indica o momento em que vivemos. Muitos casos não são esclarecidos porque ficam amarrados a formalismos, tantas vezes burocráticos que nunca permitem chegar a um desideratum satisfatório. O não vocacionado (condição sinequanon) para ser policial, promotor ou juiz, não passa de um burocrata com horários de escritório. 

*Jornalista e escritor

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