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Terça-feira, 27 de Outubro 2026
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Cinismo

Colunista *Marco Antonio Garcia

Cinismo
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O cinismo é uma corrente filosófica que surgiu na Grécia antiga por volta do século IV A.C.. A palavra deriva do grego kynikos, significando “como um cão”.

            Seu fundador é considerado Antístenes, que foi aluno de Sócrates, embora Diógenes de Sinope foi seu maior expoente. Conta-se que ele vivia em um barril de barro e levava uma vida de muita simplicidade, agindo como fosse um cão, da época e não atualmente, para mostrar a sociedade que a felicidade não dependia de ter e sim de ser.

            Diferente de outras escolas filosóficas, o cinismo era prática, pois seus seguidores buscavam a felicidade através da autossuficiência, mostrando que você não precisaria de nada além de si para ser feliz, sem apegos a riquezas, poder, pois estes aprisionam a alma.

            Os cínicos da época falavam as verdades livremente para qualquer um nas ruas sem medo de punições. Respeitavam as leis, as etiquetas e os luxos, mas as consideravam artificiais e hipócritas. Treinavam o corpo e a mente para suportar o frio, a fome, para fortalecer o espírito.

            No entanto não confundamos o cinismo filosófico grego com o conceito moderno.

            Acredita-se que o Grande Alexandre, quando encontrou Diógenes descansando ao sol lhe perguntou se poderia realizar algum desejo seu, e Diógenes respondeu “Saia da frente do meu sol”, o que deixou Alexandre, impressionado com a liberdade daquele homem.

            O cinismo foi influenciado pelo Estoicismo, que defendia a ideia de que a virtude é o maior caminho para a felicidade.

            No entanto muito diferente da visão moderna do que entendemos por cinismo. Enquanto que o cinismo antigo pregava a virtude e a liberdade moral, no moderno é visto como autodefesa e desilusão, desprezo pelas posses materiais, versus descrença na sinceridade alheia, viver de forma simples e honesta versus usar a ironia e o sarcasmo.        Outras características do cinismo são: desconfiança dos outros, descaramento, oportunismo.

            Outra passagem da vida de Diógenes, é que ele passava o dia com uma lanterna, dizendo estar procurando um Homem verdadeiro, que vivesse com honestidade e sem mascaras sociais.

            Poderia continuar procurando até hoje...

            Um pouco diferente do cinismo, o estoicismo diz que você pode ter riquezas desde que não seja escravo delas.

            Para os cínicos o sofrimento não era algo a ser evitado a todo custo, mas sim ser redefinido como uma ferramenta de libertação, sendo o que pregamos até hoje no processo terapêutico. Sofremos porque nos apegamos aos bens materiais, e esquecemos que caixão não tem gavetas e nem somos faraós.

            No cinismo moderno é frequentemente visto com uma postura de desilusão e apatia, com dificuldades de mudanças.

            O cínico contemporâneo é aquele que acredita ter visto de tudo, tentando se proteger das decepções políticas e sociais para não se frustrar.  Usa também a ironia e o sarcasmo para se manter distante das questões serias sem o comprometimento emocional.

            Na obra Crítica da razão cínica, o cinismo é uma falsa consciência esclarecida do saber, mas agindo como não soubesse.

            Enfim precisamos ser cínicos às vezes, conscientes, sabendo o que fazemos, mas continuamos fazendo mesmo assim.

            Não confundir também cinismo com ceticismo.

            Afinal somos animais sociais em evolução eterna...

*Psicólogo Clinico

 

Estreia poética

*José Renato Nalini

            A poesia é prosa musicada. Trabalhar com as palavras, fazê-las por vezes rimar, outras vezes, ainda que sem rima, transmitir ideias sublimes, é para talentos raros. Nem toda concatenação vocabular é poesia de verdade. Mas há quem se considere “poeta” e não se canse de produzir versos, que servem como exercícios de comunicação às vezes até interessantes.

            Todo intelectual tem a pretensão de fazer poesia? Nem todos. Mas aqueles que querem sê-lo, sem a natural provisão do dom, estes às vezes produzem casos curiosos. Ou seja: fornecem material para reflexão ou, ao menos, para tornar a vida mais temperada com humor.

            Foi o que aconteceu com Alberto de Oliveira, nome pelo qual era conhecido Antônio Mariano Alberto de Oliveira, (1857-1937), um dos líderes do parnasianismo brasileiro. Tinha ele um irmão, Mariano de Oliveira, que era “o poeta da família”. Fazia bons versos. Alberto sentiu inveja irreprimível e quis também “poetar”.

            Escolheu um soneto já publicado, modificou-o, quis dar uns toques de originalidade aqui e ali, alterou uma ou outra palavra. Submeteu o resultado a seu irmão Mariano. Este achou que o soneto era aproveitável. Aconselhou Alberto a continuar, pois restava explícita a sua vocação para a arte.

            Incentivado pelo irmão, Alberto começou a perpetrar seus próprios poemas. Levou-os novamente a Mariano. Que respondeu: - “Estes não estão propriamente maus. Mas aquele anterior era bem melhor!”.

            Alberto sentiu vontade de contar ao irmão o que fizera. Hesitou e só pediu que Mariano devolvesse o soneto. E o irmão retrucou: - “Agora não dá mais. Achei-o tão bom, que mandei para um jornal de Campos, para publicação, como incentivo à sua carreira de poeta!”.

            Quando contava esse episódio mais tarde, Alberto sentia-se compungido: - “Se por acaso vocês encontrarem por aí um soneto de Francisco Otaviano com o meu nome, não me levem a mal! Foi minha estreia poética!”.

            Alberto de Oliveira tornou-se grande poeta parnasiano, integrante da “tríade” dessa escola no Brasil, completada por Raimundo Corrêa e Olavo Bilac.

* Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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