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Segunda-feira, 16 de Março 2026

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Basílica de Sant’Ana,130 Anos de fé, história e serviço à Zona Norte

Basílica de Sant’Ana,130 Anos de fé, história e serviço à Zona Norte
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A  Basílica de Sant’Ana localizada na Rua Voluntários da Pátria, 2.060, desde 1896, quando teve sua pedra fundamental lançada e abençoada pelo Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, comemorará, no ano corrente, 130 anos de sua instalação paroquial.

Ao longo de sua história, que muito se funde com o desenvolvimento do bairro de Santana, a Basílica ofereceu grande contribuição, não só para o desenvolvimento da religiosidade presente no bairro desde o século XVI com a chegada dos jesuítas à região, mas também para o crescimento social e histórico do bairro. Em diversos momentos, a comunidade paroquial ofereceu ajuda e assistência aos moradores do bairro, em grandes acontecimentos como a Primeira Guerra Mundial em 1914, Revolução de 1932, Segunda Guerra Mundial em 1939, conforme se podem encontrar registros no livro tombo paroquial. Há mais de 90 anos, os paroquianos de Sant’Ana oferecem, através do seu Centro Social, um amplo serviço de assistência à população carente de toda Zona Norte com a distribuição de roupas, alimentos, remédios e café da manhã diário para cerca de 600 pessoas.

Reconhecendo o grande papel que a primeira Igreja da Zona Norte ofereceu ao desenvolvimento da região e também da cidade de São Paulo, o papa Francisco ofertou à Igreja Matriz de Sant’Ana o importante título de Basílica Menor, em 2 de maio de 2020. No mesmo ano, em celebração presidida pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, no dia 26 de julho, com a presença de autoridades civis, militares e religiosas, instalou-se a Basílica. O honroso título confere à Igreja uma estreita e íntima ligação com o papa Francisco, uma vez que é um dos poucos templos, fora da cidade de Roma, que possuem essa honraria no mundo. Este ano, estamos dentre as duas Igrejas da Região Episcopal Santana, escolhida para peregrinação jubilar de inúmeros fiéis de toda a Arquidiocese e fora dela.

Tal importância é reconhecida não só pela Igreja Católica Apostólica Romana, mas também pelo próprio Poder Civil, que escolheu as dependências da Basílica de Sant’Ana para instalar o Marco Zero da Zona Norte da Cidade de São Paulo.

Diariamente, passam pelo Templo aproximadamente 1.000 pessoas. Para atender tal demanda nossa comunidade oferece todos os dias três horários de Santas missas, momentos de espiritualidade e devocionais, além do serviço da caridade aos pobres, a escuta aos aflitos e a confissão sacramental, além de numerosas atividades pastorais e eclesiais. Nesse aspecto é que encaminhamos a presente solicitação, no sentido de obter dos poderes públicos o apoio necessário para desempenhar seus trabalhos pastorais, sociais e culturais.

Muitos projetos foram idealizados junto aos servidores do poder público, homens que em visitas a nossa Basílica cogitaram melhorias e sonhos em vista de valorizar o  Marco Zero da Zona Norte. Reafirmamos nosso convite e desejo de com vossa senhoria homenagear os homens e mulheres de fé e de cidadania, que frequentaram, viveram, construíram e sentiram-se igreja.

Com um decreto de dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, que anos depois viria a ser no Rio de Janeiro o primeiro cardeal da América Latina, datado de 12 de julho de 1895, foi erigida a Paróquia Sant’Ana, conforme transcrição:

“Decreto de Ereção da nova Paróquia de Sant’Anna nesta Capital

Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo da Diocese de São Paulo, Prelado Doméstico de Sua Santidade o Papa Leão XIII

Fazemos saber que havendo nós deliberado aumentar o número das Paróquias no município desta Capital, em razão do acréscimo de sua população e da grande extensão em que esta se tem espraiado de modo que vem grave incomodo, não podem os fiéis frequentar as respectivas matrizes para receber os Sacramentos e assistir aos Divinos Ofícios, depois de ouvido o parecer da comissão especial do Nosso Ilustríssimo e Reverendíssimo Cabido; usando de Nossa jurisdição ordinária Diocesana e, em caso necessário, da que nos é delegada pelo Sacrossanto Concílio Tridentino Sess. XXI Cap. IV De Reform: Havemos por bem separar, dividir e desmembrar da paroquial Igre-ja de Santa Iphygenia o território que em seguida vai indicado; e nela pelo presente Decreto, Erigimos e Canonicamente Instituímos uma nova Paróquia que se denominará de Sant’Anna, cuja linha divisória é a seguinte: A começar da Ponte Grande acompanha o Tietê até a divisa da “Conceição dos Guarulhos”, no rio Cabussu do Guapira, segue o Cabussú acima até o bairro da Cachoeira, dali segue pelo Juquiry-Mirim abaixo até a antiga estrada de rodagem, atravessando esta procurando a cabeceira do Cabussú de baixo, por esta até o porto da Barra Funda e dali Tietê acima até a Ponte Grande; ficando compreendidas nestas divisas as Fazendas do Bispo e a de Pedro Doller. Limitada assim a nova Freguesia de Sant’Anna, submetemos à jurisdição e cuidado espiritual do Pároco que para ela for nomeado, e das que canonicamente lhe sucederem no cargo, os habitantes daquele território aos quais mandamos que tanto para o Reverendo Pároco, como para a Fábrica da Igreja, contribuam religiosamente com os emolumentos, oblações e Estatutos, Leis, usos e costumes legítimos nesta Nossa Diocese, e Ordenamos, que enquanto se não edificar o templo que será destinado para a Igreja Matriz, funcione provisoriamente o novo Pároco na Capela de Santa Cruz daquele bairro, e que para isto usará de todos os privilégios e insígnias que em direito lhe couberem. Pelo que concedemos à dita Capela, enquanto servir de Matriz da Paróquia de Sant’Anna, novamente erigida, pleno direito e faculdade para ter sacrário em que se conserve o Augusto Sacramento da Eucaristia, com o necessário ornamento e decência e com a lâmpada acesa de dia e de noite, bem como a faculdade para ali estabelecer-se Pia Batismal, para ter os livros do Tombo e de registros de batismos, matrimoniais e óbitos, e todos os mais direitos, bônus e distinções de uma Igreja Paroquial. Portanto Damos por erigida e constituída em Nossa Diocese a nova Paróquia acima descrita, a qual terá Sant’Anna por Padroeira principal e titular, cuja festa se haverá de celebrar anualmente com pompa e religioso esplendor no dia próprio ou em qualquer outro dia segundo as circunstâncias o permitirem. Mandamos que este Nosso Decreto seja lido em um dia santificado, à estação da missa paroquial, tanto na paroquial Igreja de Santa Iphygenia, deste Bispado, pelo Reverendo Pároco respectivo, como em a Capela Matriz provisória da Paróquia novamente instituída; do que se passará certidão no verso deste, para a todo tempo constar. Depois do que seja registrado em Nossa Câmara Episcopal de São Paulo, sob o Nosso Sinal e Selo de Nossas Armas, aos doze de julho de 1895.

Eu, o Padre Julio Marcondes de Araujo e Silva, escrivão da Câmara Eclesiástica e secretário do Bispado, o escrevi e subscrevi.

+ Joaquim, Bispo de São Paulo”

Para exercer a função de Pároco da recém-criada Paróquia de Sant’Ana, foi nomeado o Cônego Antônio Augusto Lessa.

No dia 21 de julho de 1895, na estação da Missa Paroquial, o Decreto pelo qual foi instituída e canonicamente erigida a Paróquia Sant’Ana, desmembrando seu território da Igreja de Santa Ifigênia, foi lido pelo Monsenhor Antônio Pereira Reimão.  O domingo seguinte, 28 de julho de 1895, ocorreu a instalação solene da Paróquia Sant’Ana, tomando posse da mesma o pároco nomeado. Às 10h, a Imagem de Sant’Ana foi transladada processionalmente, do oratório particular da Família Chemin para a Capela da Santa Cruz. Na procissão solene seguiram, vestidos de branco, em duas alas, os alunos do Colégio Santana dirigido pelas irmãs de São José, logo após três andores com imagens da capela, sendo que o último era o de Sant’Ana, precedidos de anjos e virgens. Vinha depois o novo pároco, acompanhado de outros sacerdotes e de uma banda de música cedida pelo Sr. Presidente do Estado. Muitos fiéis participaram, de forma edificante e piedosa, da procissão, que subiu a colina para chegar à capela.

No ano de 1896, o senhor Ismael Dias da Silva doou à Paróquia Sant’Ana o terreno onde foi edificada tempos depois a Igreja Matriz. Em 1º de maio de 1896, dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, abençoou a pedra fundamental da nova Igreja.

Por meio do Decreto de Dom Antônio Candido de Alvarenga, de 14 de outubro de 1900, foi nomeado Pároco da Igreja Matriz de Sant’Ana, o padre Braz Joaquim Mercadante. As obras da Igreja Matriz em nada caminharam nos primeiros anos após a criação da Paróquia, que se manteve de forma precária na sede provisória, a ponto do bispo diocesano, aos 12 de novembro de 1900, autorizar que o Santíssimo Sacramento, por falta de segurança na Capela Santa Cruz, passasse a ser conservado no tabernáculo instalado nos aposentos do pároco.

A primeira turma de crianças a receber a Primeira Comunhão, após participar da catequese, em 02 de fevereiro de 1901, contava com 196 membros. O Apostolado da Oração da Paróquia Sant’Ana foi constituído aos 05 de julho de 1901, contando com 31 associados. A instalação canônica se deu com a Celebração da Santa Missa e Adoração ao Santíssimo Sacramento.

Aos 24 de agosto de 1904, a Paróquia Sant’Ana inaugurou uma nova fase de sua história. Dom José Camargo de Barros confiou os cuidados da Paróquia Sant’Ana ao Padre Clemente Henrique Moussier, primeiro religioso da recém-fundada Congregação dos Missionários de Nossa Senhora da Salette a chegar no Brasil, em 1902. Com a chegada dos “saletinos” na Matriz de Sant’Ana, os párocos passaram a exercer a função por um maior período, além de iniciar-se sob o paroquiato dos saletinos a construção da tão sonhada Matriz. No mesmo ano, aos 05 de novembro, chegaram novos padres saletinos para colaborar com o pároco.

Com o progresso e o grande crescimento da cidade de São Paulo, chegou a Sant’Ana a primeira linha do metrô, que ligava a zona norte à zona sul da metrópole. Com isso, foi edificada a estação Santana, o que gerou a desapropriação de parte da propriedade da Paróquia, em julho de 1972, a fim de se construir a nova estação.

Programação

Para comemorar os 130 anos da Basílica de Sant’Ana, a organização da igreja preparou uma programação especial para os meses de junho e julho.

A quermesse com comidas típicas, brincadeiras, show e prêmios acontecerá nos dias 28 e 29 de junho e se estenderá em julho nas seguintes datas: 5, 6, 9, 12, 13, 19, 20, 26, e 27, das 11h às 22h. 

O evento promete muita animação para os fiéis.

A Basílica de Sant’Ana está situada na Rua Voluntários da Pátria, 2.060.

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