Se o Brasil não quiser permanecer coadjuvante, precisará dar mais atenção ao esporte. O programa atleta de alto rendimento é um case a ser imitado
Amanhã, Paris abrigará a festa de encerramento da XXXIII Olimpíadas da era moderna. Certamente será um grandioso espetáculo esportivo e teatral que consagrará atletas, organização e a própria Cidade Luz.
As pelejas por medalhas se concentraram nas grandes e tradicionais potências esportivas, com alguns atores coadjuvantes, dentre eles o Brasil, compondo o quadro.
A superioridade estadunidense permanece norma, mas, a cada nova competição, a China se aproxima e até ultrapassa o time norte-americano em modalidades que eram hegemonicamente dominadas por atletas daquele país.
A incrível quebra de recorde mundial na prova dos 100 metros nado livre masculino pelo chinês Zanle Pan, de apenas 19 anos, com o tempo de 46s80, é uma amostra dessa mudança de protagonismo.
E a nossa Rebeca? Sua graciosidade e fortaleza muscular, além de elevado controle emocional, a levaram a superar Simone Biles, a maior atleta de todos os tempos na ginástica artística feminina, e dessa receber ovações.
E a nossa fadinha, a Rayssa? Sua frieza ao deslizar com seu skate sobre uma traiçoeira pista para sobrepujar as notas das meninas voadoras de outros países, nos encheu de orgulho.
E a nossa Bia Souza? Seu sorriso generoso se transmutava em olhar fixo e atento aos movimentos de pernas das adversárias no dojô, a fim de cumprir a tarefa hercúlea de chegar ao olimpo do pódio.
E o nosso Luiz Maurício? Sua técnica e força muscular o fizeram a arremessar o dardo de 2,6 m e 800 g para além dos oitenta e cinco metros, alçando o Brasil, após 92 anos, a uma final dessa modalidade.
Muitos outros atletas brasileiros mereceriam referência. Sintam-se acarinhados e reconhecidos. São verdadeiras heroínas e verdadeiros heróis diante das condições precárias que desfrutam para treinarem e representarem seus clubes, associações, confederações e nosso país.
Não somos um país que devote genuína preocupação com a formação básica de atletas e equipes esportivas. As consagradas modalidades do Voleibol, Judô e Futebol são casos fora da curva.
Quando um atleta como Marcus D'Almeida se destaca na competição de tiro com arco, valeria indagá-lo como ele iniciou sua trajetória de sucesso.
Ele, 3º Sargento da Marinha, e mais alguns outros são atletas patrocinados pelas Forças Armadas, em um programa que teve origem na década de 2000, com a preparação para os jogos mundiais militares realizados em 2011, aqui no Brasil.
Desde então, Marinha, Exército e Força Aérea convidam e incorporam atletas que se destacam no cenário nacional, dão-lhes uma roupagem militar e proporcionam-lhes local para treinar, técnicos especializados e equipes multidisciplinares na esperança de que eles possam vingar no cenário internacional representando o seu esporte e o nosso país.
Nesta Olimpíada, são vários os atletas militares acolhidos no programa.
A Bia Souza, citada no início deste texto, é uma delas. Aliás, chamemo-la por 3º Sargento Beatriz Souza (nome de guerra) e façamos justa continência à militar do Exército pela medalha de ouro que nos trouxe na categoria 78 Kg no judô feminino.
As Sargentos da Aeronáutica Flávia, Jade e Lorrane (ginástica artística), medalhas de bronze por equipe, os Sargentos da Marinha Alisson dos Santos Oliveira (atletismo) e Guilherme Pereira da Costa (natação), e as Sargentos Ana Patrícia Silva Ramos e Eduarda Santos Lisboa (voleibol de praia) são igualmente exemplos de sucesso da iniciativa.
Na página eletrônica do Ministério da Defesa - https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/esporte/olimpiadas - os leitores interessados encontrarão mais detalhes sobre o programa.
Agora, quando um atleta assumir a posição de sentido ou prestar continência à bandeira do nosso país no pódio, ou ainda usar um adesivo no braço com o símbolo de uma das Forças Armadas, vocês saberão que eles lutam literalmente por nossa soberania.
Projeção de poder também se faz com Soft Power. E o esporte é parte das armas não letais que países usam para dissuadir antagonismo.
Se o Brasil não quiser permanecer coadjuvante, precisará dar mais atenção ao esporte. O programa atleta de alto rendimento é um case a ser imitado por outras organizações, governamentais ou não. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, ansiamos por atletas e equipes mais fortes.
Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva
Atletas guerreiros, guerreiros atletas
Colunista Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva
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