A Associação Portuguesa de Desportos, conhecida popularmente como Portuguesa, é um clube poliesportivo brasileiro com sede em São Paulo, fundado no bairro do Canindé, e tem como modalidade esportiva principal o futebol. Foi fundada em 14 de agosto de 1920 por membros da comunidade portuguesa radicados na capital paulista e suas cores são o vermelho e o verde, em alusão à bandeira nacional de Portugal.
Quinto maior clube paulista ativo em títulos estaduais, participações na elite e número de pontos conquistados no Campeonato Paulista, passa por um momento de crise e declínio no futebol profissional, desde o título do Campeonato Brasileiro Série B de 2011 e queda da elite em 2013, até 2018, quando não se classificou para nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro pela primeira vez desde o início da era moderna da competição, em 1971.
O vice-campeonato brasileiro de 1996, o Campeonato Brasileiro da Série B de 2011, os títulos do Torneio Rio-São Paulo em 1952 e 1955 (a época o único campeonato interestadual do Brasil e precursor do Campeonato Brasileiro), e os 3 títulos do Campeonato Paulista da Série A1 (o último em 1973), ficaram marcados como os seus mais célebres momentos.
Em 2024, após 39 anos, se classificou para a fase final do Campeonato Paulista. Na última edição em que isso havia ocorrido, se sagrou vice-campeão.
A Rubro-verde, como também é conhecida, já contou com grandes jogadores da história do futebol brasileiro. Djalma Santos, Brandãozinho, Julinho Botelho, Félix, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Roberto Dinamite, Dener e Zé Roberto foram só alguns dos grandes futebolistas que jogaram pela equipe paulistana em seus mais de 5000 jogos. Teve 6 jogadores convocados para a Seleção Brasileira em 4 copas do mundo (1954, 1958, 1962 e 1970), das quais 3 o Brasil foi campeão.
História
Fundação
No dia 14 de agosto de 1385, as tropas portuguesas, lideradas por Dom João, Mestre de Avis, derrotaram as tropas de Dom João I de Castela na batalha de Aljubarrota, um dos acontecimentos mais importantes da história de Portugal, que marcou o início da dinastia de Avis, ligada aos descobrimentos que permaneceria no poder até 1580.
Quase cinco séculos mais tarde, no dia 14 de agosto de 1920, o jornal O Estado de São Paulo anunciava em sua página esportiva a fundação da Associação Portuguesa de Esportes:
“No salão nobre da Câmara Portuguesa de Commercio, à rua de São Bento, 29-B, deve realizar-se hoje às 20 e 1/2 horas a eleição e tomada de posse da diretoria da novel Associação Portuguesa de Esportes…”
A Portuguesa surgia da fusão de cinco sociedades lusitanas já existentes: Luzíadas Futebol Club, Associação 5 de Outubro, Esporte Club Lusitano, Associação Atlética Marquês de Pombal e Portugal Marinhense. Formada oficialmente no Salão da Câmara Portuguesa de Comércio, inicialmente como uma sociedade civil sem fins lucrativos (entidade esportiva, recreativa, assistencial, educacional).
O pedido de filiação da Portuguesa à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) foi deferido no dia 2 de setembro de 1920, mas como não havia mais tempo para a inscrição no campeonato daquele ano, a Portuguesa fundiu-se ao Mackenzie, já inscrito, e participaram juntos do campeonato de 1920.
A Associação Atlética Mackenzie College foi o primeiro clube de futebol brasileiro para brasileiros. Fundada em 1898 por estudantes do Mackenzie College, era formada apenas por alunos do colégio. A Portuguesa-Mackenzie disputou os certames pela APEA até 1922.
Em 1923, a Associação Portuguesa de Esportes desligou-se do parceiro e passou a disputar jogos com sua antiga denominação. Em 1940 a Associação Portuguesa de Esportes alterou seu nome para Associação Portuguesa de Desportos.
Patrimônio
Quando da sua fundação, a Portuguesa herdou a sede da Rua Domingos Paiva (sede do 5 de Outubro e do Lusíadas) e o campo da Rua Conselheiro Lafayette, Brás, que eram ambos alugados.
Em outubro de 1920, a Câmara Portuguesa de Comércio cedeu o 3º andar da Rua São Bento, nº 29-B, para que servisse como sede social. Em 1921, o Campo da Companhia Predial Álvares Penteado, situado na Rua 25 de Março, foi reformado e passou a ser utilizado para os treinos da equipe de futebol. Durante as obras de terraplenagem, os jogadores da Portuguesa treinavam às quartas-feiras e aos sábados no antigo campo do Corinthians, na Ponte Grande. Aliás, nesse ano de 1921, os jogadores da Lusa eram convocados por anúncios nos jornais, e o clube pagava as passagens de bonde.
Em 1922, a Portuguesa adquiriu o campo de futebol da União Artística e Recreativa Cambuci, situado na Rua Cesário Ramalho, nº 25, Lavapés, e que havia sido construído em terreno da prefeitura. No local já havia muros, pavilhões, cercas, campo gramado e arquibancada, mas foi apenas em 1925 que a APEA oficializou o estádio, permitindo o uso público.
Na inauguração, em 25 de janeiro de 1925, houve dois jogos: Corinthians 4–0 no Brás Atlética e a derrota da Portuguesa para o Germânia por 5–0.
Em agosto de 1929, foi comprado um terreno na Avenida Teresa Cristina, Ipiranga, que teve sua área ampliada ao longo dos anos. Em 1938, foram adquiridos 11 mil m² em volta do terreno original.
Em 1933, a sede social transferiu-se para o Edifício Martinelli, na Rua São Bento, 8º andar, onde permaneceu até 35, quando mudou-se para a Rua XV de Novembro, nº 18, 2º andar. A sede social mudou-se ainda para a Rua Onze de Agosto, nº 29, no ano de 1938. Esta foi a última sede social da Portuguesa de Esportes.
Em 1940, mudou-se para a Rua do Carmo, 177, 2º andar. O 1º andar do prédio era alugado e contribuía para o orçamento do clube. Nesse mesmo ano começaram as obras de construção do Estádio Municipal do Pacaembu e o lançamento da pedra fundamental do futuro Estádio Dr. Ricardo Severo, que seria construído no terreno da Avenida Teresa Cristina. O nome do estádio seria uma homenagem ao português Ricardo Severo, sócio do arquiteto Ramos de Azevedo. A “Gazeta Esportiva”, na sua edição de 10 de junho de 1940, noticiou o fato:
“No bairro da colina histórica, a Associação Portuguesa de Esportes registrou ontem um acontecimento histórico para seu progresso e seu futuro, ao lança, em bela cerimônia, a pedra fundamental do Estádio Ricardo Severo, que ali se erguerá concretizando o máximo ideal do clube representativo da laboriosa colônia lusa de São Paulo. ”
Entretanto, o estádio nunca seria construído. A Portuguesa passou a disputar suas partidas no Pacaembu e a treinar no Parque do Ibirapuera. No ano de 1942, aconteceu outra mudança de sede social, agora para o Largo de São Bento, nº 25, 1º andar. Foi ainda no ano de 1942 que a Portuguesa vendeu o terreno do Ipiranga por 800 mil réis.
Estádio do Canindé
Em 1956, a Associação Portuguesa de Desportos fez a compra de um terreno que tinha o São Paulo como dono. Nessa época, o local abrigava uma pequena estrutura com campo para treinos, um pequeno salão, vestiários e outras dependências para treinamento.
Para a Portuguesa usar o terreno como seu campo, oficialmente teria que estar nas normas da Federação Paulista de Futebol, de modo que na época foram feitas várias reformas, erguidos alambrados e uma arquibancada de madeira. O estádio recebeu então o apelido de Ilha da Madeira.
Em 11 de janeiro de 1956 a Portuguesa fez a sua estreia na nova casa vencendo um combinado entre os rivais, Palmeiras e São Paulo, por 3–2.
Esta construção de madeira foi provisória, pois em 9 de janeiro de 1972 o Estádio do Canindé foi inaugurado com a partida Portuguesa 1–3 Benfica, sendo que nesse momento inicial o Canindé tinha capacidade para receber apenas dez mil torcedores.
Em 1979, o Canindé foi ampliado com capacidade para receber 27.500 torcedores e rebatizado com o nome de Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, pelo então presidente, Manuel Mendes Gregório, com capacidade atual para 21.004 pessoas, situado dentro do clube em uma área de aproximadamente 102 mil metros quadrados.
CT do Tietê
A Portuguesa tem o seu Centro de Treinamento situado no Parque Ecológico do Tietê, onde treinam o time principal e as categorias de base, com hotel próprio disponível para alojar os jogadores.
Símbolos
Escudos
Escudo utilizado entre 2005 e 2015
O primeiro logotipo do clube foi apresentado em 14 de agosto de 1920, durante a fundação do clube, era um escudo português. Esse logotipo foi escolhido para homenagear Portugal. O segundo logotipo do clube, usado durante a época da união com a Associação Atlética Mackenzie College, tem um escudo com as cores de Portugal e a escrita “Mackenzie College” acima. O terceiro escudo apresentado em 1923, tinha uma Cruz de Avis vermelha delimitada por um contorno verde. A Cruz de Avis representa a independência portuguesa do Reino de Castela, que ocorreu após a Batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385.
O quarto escudo as cores da borda e da Cruz de Avis foram invertidas, e agora dentro de dois círculos com o nome do clube (Associação Portuguesa de Desportos) e também com o nome da cidade (S. Paulo).
No quinto escudo, o clube removeu os dois círculos e o nome, para deixar no formato atual mas apenas com algumas modificações.
Em 2005, o design do logotipo do clube foi modernizado, e uma guarnição dourada foi adicionada ao redor do contorno vermelho.
Em 2015, a Portuguesa voltou a usar o distintivo adotado durante os anos 90.
Mascotes
A cantora Maria Severa
A primeira mascote da Portuguesa foi uma menina portuguesa chamada Severa. Seu nome foi dado em homenagem à fadista Maria Severa Onofriana, que foi uma das principais cantoras portuguesas durante o século 19.
Em 1994, a Portuguesa mudou seu mascote. O mascote original e único do clube foi substituído por um leão que usava o uniforme do clube. O leão é um dos mascotes mais comuns dos clubes de futebol brasileiros.
Em 2021, após 26 anos, a mascote Severa voltou a ser mascote oficial da Portuguesa, fazendo dupla com o leão que já era o mascote oficial.
Hinos
Há dois hinos do clube. O primeiro, chamado Hino Rubro-verde, é o antigo e foi composto por Archimedes Messina e Carlos Leite Guerra.
O segundo hino, chamado Campeões, é o hino atual do clube e foi composto por Roberto Leal e Márcia Lúcia.
Torcida
Torcedores da Lusa no Canindé
Leão, símbolo da torcida Leões da Fabulosa e mascote da Lusa.
Leões da Fabulosa
A Leões da Fabulosa é a mais antiga e tradicional torcida organizada da Portuguesa, fundada em 26 de fevereiro de 1972, a Leões da Fabulosa foi a primeira torcida organizada do clube do Canindé. O nome surgiu de uma frase marcante para narrar a entrada da Portuguesa no gramado:”Entram em campos os leões da Portuguesa com a sua fabulosa torcida.”
Na época o que chamava atenção era a emoção com o que a Torcida se comportava nas arquibancadas, pelo fanatismo e pelos belos uniformes que o grupo de torcedores vestia, calças brancas e camisas vermelhas com um leão bordado nas costas.
O tempo passou e a Leões foi se tornando cada vez mais conhecida nacionalmente, e hoje o Grêmio Recreativo Esportivo Cultural Leões da Fabulosa tem uma sede moderna e organiza reuniões, festas e confraternizações.
Associação Portuguesa de Desportos, 104 anos de orgulho
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
+ Lidas
Nossas notícias no celular
Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.
Telegram
Whatsapp
Facebook