Aguarde, carregando...

Domingo, 28 de Junho 2026
Notícias Colunistas

As antas no carnaval

Colunista Percival de Souza

As antas no carnaval
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Grande surpresa nesse carnaval: surgiu nos desfiles e nos blocos um grupelho de antas, gingando e requebrando, abrindo alas para um samba de doidos, como dizia, na época, sem medo do “politicamente correto”, o compositor Sergio Porto. 

Antas? Antas. Antes de começar a festa de Momo, pretendiam elas que o sistema de segurança por reconhecimento facial fosse cancelado, alegando que o método é “discriminatório” e “inconsistente”, atingindo pessoas que se manifestam “pacificamente”. As antas fizeram de conta que não sabem: o “smart stamp”, programa criado pelo decreto 63.552, capturou quase mil criminosos em flagrante e 800 foragidos da justiça. Na folia, tem de tudo: os que querem se divertir, maciça maioria, e o incômodo dos bêbados e assédios, os que fazem pipi na rua e os arrastões para furtos e roubos. Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que inspirou o filme “Ainda estou aqui”, vencedor do Oscar, desfilava com sua cadeira de rodas no baixo-Augusta, quando foi atingido por uma mochila e uma latinha de cerveja. Segundo as antas, nada disso aconteceria. Mas policiais civís fantasiados se misturaram na multidão e prenderam marginas no momento certo. Ora h. 

Esclareça-se: anta é um manífero com focinho e lábios enormes, que emite um som parecido com assobio. Além do animal ser assim, no Brasil o nome dela é usado para identificar pessoas lentas e bobas. A busca facial procura, e obtém exito, ao puxar o que na gíria policial é “capivara”, para verificar a existência ou não de antecedentes criminais. 

Como se vivessem em outro planeta, nossas antas tentaram rebolar no samba doido, lembrando que tal palavra é referida para definir os insensatos e sem juízo. Mas no nosso caso, elas procuram se considerar pessoas qualificadas, preocupadas com o interesse público, levando a Prefeitura Municipal a reagir contra esa intromissão com “estranhamento” e “indignação”. 

Embora anta lembre Antares, a grande obra de Érico Veríssimo, que tem a palavra “incidente” no título do livro, não há nada a ver: antares é uma grande estrela e nossas antas preferem viver na escuridão. 

Antas de plantão precisam levar em conta seus incontornáveis limites. Foi como Apeles, grande pintor da Grécia antiga (retratou Alexandre, o Grande), fixou parâmetros: “Ne sutor, ultra crepidam”. Não vá o sapateiro além de suas sandálias. Problema: as nossas antas, além de míopes, andam descalças. 

* Jornalista e escritor 

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR