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Quinta-feira, 16 de Abril 2026

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Alimentos Orgânicos, Qualidade de Vida e Saúde.

Alimentos orgânicos são aqueles considerados in natura ou processados

Alimentos Orgânicos, Qualidade de Vida e Saúde.
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Alimentos orgânicos são aqueles considerados in natura ou processados, de forma a deixá-los livres de contaminantes intencionais, visto que para sua produção não são usados agrotóxicos (pesticidas), adubos químicos ou substâncias sintéticas, aditivos alimentares, radiações ionizantes, hormônios, medicamentos veterinários, conservantes e etc.

De primeira mão, é possível observar que há uma questão ambiental relevante, pois as técnicas desse processo respeitam e protegem o Meio Ambiente (solo, água, ar e outros recursos naturais) mantendo-o sustentável enquanto gera benefícios econômicos e sociais. O processo de adubação, sem agrotóxicos, denomina-se compostagem, que consiste na transformação de resíduos orgânicos em fertilizantes naturais, ou seja, em adubo orgânico, que enriquece o solo e mantém sua fertilidade.

As estatísticas indicam estar havendo aumento do consumo de produtos orgânicos em nível mundial. Sabe-se ainda que esse fenômeno está ocorrendo porque as pessoas estão, por meio de uma melhor qualidade dos alimentos, buscando assegurar o seu bem-estar e saúde. No Brasil, a Lei 10.831/03 regulou o cultivo e comercialização dos produtos orgânicos, e o que se observa quanto à motivação dos adeptos ao seu consumo está ligado à concepção de fazer bem à saúde, visto que não tem agrotóxico, é natural, mais saborosos, de melhor qualidade, além de preservar a diversidade biológica dos ecossistemas naturais.

Conjuga-se a essa questão a insegurança de segmentos da sociedade em relação à qualidade, certificação e tecnologia empregada na moderna produção convencional dos alimentos, com a inclusão de manipulados químicos, por vezes com níveis de resíduos de agrotóxicos superiores aos permitidos, o que poderia estar vulnerabilizando a saúde pública.

Pesquisas realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), há duas décadas, em cuja ocasião analisou verduras e legumes comercializados em supermercados dos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Pernambuco, aferiu que 22,17% apresentaram níveis de agrotóxicos acima do limite permitido, ou seja, com riscos para o consumo humano.

Outra questão de relevância que tem sido atestada pelos pesquisadores, informa que ambos alimentos possuem certo nível de nitrato, cujo teor tem sido mais elevado nos alimentos convencionais. Os nitratos enquanto fertilizantes fornecem nitrogênio à vegetação e quando utilizados inadequadamente ou em excesso passam a oferecem riscos, especialmente na contaminação das frutas e hortaliças.

Após sua ingestão e metabolização formam as nitrosaminas, no trato digestivo, que são compostos químicos com potencial cancerígeno. Vale aqui alertar que os alimentos embutidos, tais como, linguiça, presunto, salsicha, peito de peru, paio, salame, mortadela e outros, são os que possuem maiores taxas desses compostos químicos, logo não devem ser consumidos com regularidade.

Apesar de toda construção que tem sido feita no sentido de que o produto orgânico melhora a saúde humana, inexistem estudos epidemiológicos conclusivos que comprovam esta associação. Conforta saber que também não há comprovação de que o alimento convencional seja superior ao orgânico.    

Sobre o valor nutricional, há controvérsias entre pesquisas feitas no Reino Unido e na França, pois enquanto no primeiro país não foram evidenciados benefícios para saúde o consumo de orgânicos em detrimento dos convencionais, no segundo a comparação da qualidade nutricional entre produtos orgânicos e convencionais apresentou resultados opostos, ou seja, atestando serem os orgânicos mais nutritivos.

Preliminarmente pode-se inferir que os alimentos orgânicos por possuírem valor nutricional equilibrado, maior durabilidade, sabores mais definidos e menor toxidade podem, associados a bons hábitos alimentares e estilo de vida, favorecer o bem-estar e uma melhor Qualidade de Vida e Saúde aos seres humanos, além de preservar o Meio Ambiente. 

 

 

Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA

Comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo

Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública

Bacharel em Direito e Especialista em Direito Ambiental

Bacharel em Psicologia (Abordagem Centrada na Pessoa)

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