Você pode não conhecer o termo alienação parental, mas quase todo mundo conhece algum caso. O que, infelizmente, poucas pessoas conhecem são as consequências desses atos sobre crianças e adolescentes vítimas dessa prática.
Alienação parental é toda interferência na formação psicológica da criança ou adolescente, promovida por pais ou responsáveis, para afastar essa criança ou adolescente de outro genitor. Na prática, é quando os filhos são usados como arma na briga entre os pais, especialmente no momento da separação. É um dos temas mais delicados tratados pelo direito de família, considerando os efeitos psicológicos e emocionais que a prática desses atos pode provocar nas relações entre crianças e adolescentes e seus pais, avós e familiares.
Frases como “sua mãe foi quem quis a separação” ou “seu pai não paga a pensão, mas tem dinheiro para isso”, entre outras tantas, são tão comuns quanto prejudiciais ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. Sem maturidade emocional para lidar com a disputa entre seus pais, a criança vivencia uma crise de lealdade – como se devesse escolher um lado.
As consequências psicológicas e emocionais para a criança ou adolescente são graves e podem se manifestar pelo resto da vida. Ansiedade, depressão, agressividade, dificuldade de ter um relacionamento amoroso saudável na vida adulta, uso abusivo de álcool e outras drogas, e até mesmo o suicídio.
A família tem uma importância fundamental na formação de todos nós, é onde aprendemos a nos relacionar com outras pessoas, a expressar nossos sentimentos, onde nos sentimos seguros e acolhidos. Essa segurança emocional simbolizada pela família precisa ser preservada para os filhos mesmo quando os pais se separam. Afinal, o casal pode escolher viver separado, mas filhos são para sempre.
Por isso, criei a Semana de Conscientização e Prevenção à Alienação Parental na cidade de São Paulo, um evento anual que aconteceu pela primeira vez no mês de abril passado.
Idealizada pela advogada de família, dra. Kátia Boulos, a Semana tem o objetivo de aumentar a consciência e, consequentemente, prevenir esses atos. Para isso, tivemos uma programação com grandes especialistas que atuam nesse tema, nas áreas do Direito, Psicologia, Assistência Social, entre outros, em diferentes regiões da cidade, para democratizar o acesso a esse debate tão importante.
Promover o diálogo, conscientizar a sociedade e profissionais que lidam com esses casos é uma forma de proteger nossas crianças e adolescentes. Um esforço que deve ser de todos nós!
* Adriana Ramalho Vereadora da cidade de São Paulo e presidente da Associação das Vereadoras do Estado de São Paulo. E-mail: adrianaramalho@adrianaramalho.com.br