O acrônimo Brics significa que cinco países – o nosso, Rússia, China, Índia e África do Sul - são emergentes na economia mundial e formam poderoso grupo que estabelece, com articulação e cooperação, os rumos da geopolítica entre os povos.
Os líderes da Brics estiveram reunidos no Rio de Janeiro. O encontro foi superprotegido pelas Forças Armadas, com uma mobilização impressionante, por terra, mar e ar.
Enquanto isso, simultaneamente, não no palco da reunião, mas no Complexo do Alemão, que está sob domínio permanente do crime organizado, aconteceu outro tipo de encontro entre duas poderosas máfias criminosas: o Comando Vermelho, hoje a principal, e o Primeiro Comando da Capital. Celebraram um armistício, deixando de lado a guerra mútua e optando pela cooperação muito mais lucrativa entre si.
Brics, CV e PCC. Duas formas gerenciais, uma do bem e outra do mal. Girando entre as duas, êxtase e agonia e êxtase. Uma para o nosso bem, outra com expansão sem fronteiras para o mal. Em Seixal (Portugal), o corpo de um inimigo do CV foi encontrado carbonizado num caixote. Na Itália, um membro da calabresa ‘Ndrangueta revelou que esteve em várias cidades do Brasil para celebrar acordos (franquias) com o CV e PCC no tráfico internacional de cocaína. Êxtase ao perceber que é possível proteger-se com invejável segurança. Agonia pela demonstração dessa segurança máxima e o brasileiro viver acuado pela insegurança. Por evidente, há algo de muito errado nisso.
O que nos falta? Um mínimo de discernimento. De um lado, incompetência. De outro, medidas e punições, normas escritas não traduzidas para os praticantes de crimes. O populismo é pedra no caminho. Há um projeto no Senado para reforçar o conceito de legítima defesa. Nada de excepcional, pois a Constituição (art.144) determina que a segurança seja direito e responsabilidade de todos, como não vimos no antagônico Rio de Janeiro. Mas, em plano geral, falta coragem por todos os lados, neste 2025 mais preocupados com as urnas de 2026. Recente exemplo esdruxulo foi o ministro Lewandowski pretender transformar a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Ostensiva Federal, para minar politicamente as polícias estaduais, sem contar que as duas federais são exemplares.
Moral da História: é possível proteger os caciques da Brics? Foi provado que sim. É possível proteger a sociedade contra tentáculos do crime? Está provado que não.
* Jornalista e escritor
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