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Sábado, 27 de Junho 2026
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Academíadas

Colunista *José Renato Nalini

Academíadas
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            Digam o que disserem e as Academias ainda excitam aqueles que ainda não as integram e querem sentir o sabor da falaciosa imortalidade que elas garantem. Como dizia Lygia Fagundes Telles, a secundar Olavo Bilac: “Somos imortais porque não temos onde cair mortos...”

            Mas conviver numa Academia de Letras é um exercício antropológico excitante. Há todos os tipos. A única presença garantida é o ego superdimensionado. Todos se consideram muito especiais, singulares, o suprassumo da espécie racional.

            No mais, há os bem-humorados, os generosos, os irritadiços, os pessimistas, os que enxergam conspiração em tudo, os que só enxergam defeitos nos outros. Principalmente nos confrades da própria Academia.

            Isso é perene. Como dizia Humberto de Campos em seu “Diário Secreto”: na última sessão da Academia, “com Alberto de Oliveira a falar, em um discurso escrito, nas ‘estrelas de primeira grandeza do céu da nossa literatura’. Com Cláudio de Souza a apresentar uma proposta que assim começa: “Considerando que a Academia pode ser considerada...”; com Gustavo Barroso a citar todos os autores encontrados no catálogo da Livraria Hachette, para falar de um pobre rapaz de São Paulo; o de Adelmar Tavares a saudar Alberto de Oliveira com palavras líricas de batizado na roça” e a pedir para ele “um punhado de flores de nossas palmas”. Ele terminava dizendo sentir uma tristeza tão funda, que tinha a impressão de ser a mesma da morte de um amigo ou de um parente.

            Nessa mesma tarde, ouviu de Roquete Pinto, que se assentava a seu lado, um conselho:

            - “Nós precisamos fazer aqui uma liga contra a retórica”.

            E ele enfrentava uma questão mais grave. Pensava se as Academias sobreviveriam a tanta mediocridade. Preocupação que não tinha razão de ser. A despeito de escolhas incríveis, inexplicáveis, verdadeiramente surreais, as Academias sobrevivem. São um refúgio para a discussão livre e apenas interessada em promover a cultura. Ainda bem que isso acontece!

 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. 

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