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Sexta-feira, 23 de Outubro 2026
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Abuso e exploração sexual na infância e na adolescência: Abrindo a caixa de pandora.

O dia 18 de maio foi escolhido como o Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes

Abuso e exploração sexual na infância e na adolescência: Abrindo a caixa de pandora.
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O dia 18 de maio foi escolhido como o Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes para que todos nós possamos centrar esforços na reflexão que essa questão, tão complexa quanto difícil de solucionar, nos impõe. Nossa legislação, a meu ver, é rigorosa quando se olha pelo viés punitivo que todo crime grave provoca, mas especialmente porque minha área de atuação, como delegada de polícia, é a repressiva, é que me vejo não só capaz, como responsável por suscitar outras perspectivas quando o que se busca é combater as causas e, principalmente, os efeitos danosos desse tipo de crime. O aparato policial e judicial está em constante atualização e salta aos olhos os esforços para aprimorar a resposta legal – desnecessário discorrer sobre a extrema importância disso. O aprofundamento do estudo da dinâmica desse tipo de delito, inevitavelmente, me remete à conclusão que, aliás, aproveita a todo tipo de delito, de que a prevenção é sempre a melhor política criminal, por dois motivos principais: primeiro porque todo abuso, pouco importando a idade em que ocorre, é sempre traumático, deixa cicatrizes na alma, difíceis, quando não impossíveis, de remediar – na infância e na adolescência, os efeitos são ainda mais devastadores. Em segundo lugar, há uma combinação de fatores: é uma prática muito mais comum do que se pode imaginar, nem sempre deixa vestígios e, frequentemente, tem como autor alguém muito próximo da vítima, o que torna a detecção extremamente difícil e, inevitavelmente, se reflete por todo o processo, seja o legal, no sentido de apurar e punir, seja o de cura do trauma que acompanha, não só a vítima, mas todos ao seu redor. Longe de esgotar o tema, estar atento ao comportamento de nossas crianças e adolescentes e das pessoas a quem as confiamos é uma medida simples e que está ao alcance de todos nós.

 

Delegada Lucy

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